sábado, 30 de setembro de 2017

Espaço Seleto.


Agência gold, conta especial, cartão cromado. Gerente exclusivo, "30 horas à sua disposição". Cafezinho em porcelaninha direto da maquininha de capsulazinha. "Vale cada centavo... não que eu me preocupe com cada centavo, ou com centavos, meu pensamento segue uma lógica menos reducionista, não caio em armadilhas da prática teórica, ocorre que me preocupo apenas com os grandes cânones na verdade, minhas contas começam quando vejo que há cinco dígitos envolvidos. Costumo mais olhar ao redor mesmo, selecionar uma conduta moral lisa, nada de pisar fora das linhas que eu desenhei". Porta automática, porta giratória, seguranças armados, discrição, carro forte. "Temos um leitor de córnea para lhe dar a segurança de que apenas você terá acesso aos seus valores". Mas o espaço, é seleto - ou você acha que é qualquer batata, cenoura, milho ou ervilha que entra na latinha? Espaço seletíssimo! Mas eis que, rapaziada bacana, arregaçam as mangas, usam todas as engrenagens cerebrais, quilos e quilos de papéis, para colocar em suspenso a legitimidade desses espaços. Cavocam mais fundo: verdadeiros vocábulos sobre tudo o que está errado, proposições sutilmente notáveis (frequentemente incompreensíveis). "Está errado ter espaço seleto assim desse jeito pode não chama uma rapaziada aí pra gente resolver essa questão". "Pode não". "Por que?", "Então, entende, o espaço aqui é meio restrito, não pode ser pra todo mundo sabentende?", "Ah sim, claro, como não. Se for pra todo mundo assim vulgariza o assunto. Com certeza. Está certo. Afinal não dá pra pisar fora da linha nénão?". 

 

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