segunda-feira, 29 de maio de 2017

A grande teoria da personalidade que irradia.


Mas, na verdade, esse é só um esboço de uma teoria que ainda não se mostra como tal, tampouco que demonstra indícios de que irá se tornar grandiosa ou, meramente, grande. Bom, mas, sigamos adiante: há uma ideia em curso, e há práticas correntes que dialogam com a ideia, o que me faz compreender que, factualmente, há uma teoria por vir.
Trata-se de personalidade, aquela construção individual-social que é comum ser outorgada à composições genéticas e a posicionamentos lunares, estrelares, planetares. Mas não creio nisso não. Também não creio em dedo de santo, benção de anjo, sopro divino ou olhar de entidade. Personalidade, ao meu compreender, é uma camada bem grossa de cimento, uma fileira de tijolos, outra de cimento, e outra fileira, e assim sucessivamente até formar uma parede, então outra, então outra, mais uma e tem-se um cômodo, aí entra a porta, outro cômodo, diversas fileiras, diversas paredes, janelas, espaços vagos; móveis em imóveis. Personalidade é construção. 
Puxadinho é o nome popular que se dá para a construção extra, aquele quartinho a mais, aquele pedaço subtraído do quintal ao qual são destinadas fileiras de cimento e tijolos para que se torne metro quadrado de uso prático e objetivo. Puxadinho é a irradiação da construção, proliferação em sentido não negativo, expansão. 
É inegável que a personalidade, enquanto construção, pode não ver limites. E mesmo quando na construção primeira da casa não foi previsto a necessidade daquele "Quarto de fundos", ou mesmo que tenha sido pré-estabelecido: "Vamos primeiro erguer a casa, deixa aquela terra batida atrás, depois a gente cimenta, depois vê o que faz". E assim segue-se a construção. As irradiações no terreno são finitas conforme a metragem. As reconstruções, igualmente: "Vamos derrubar essa parede aqui, e deixar aberto o caminho por aqui agora para que os cômodos da construção sejam menos distintos e mais próximos, interajam".
Mais um andar, mais alguns cômodos. O quarto dialoga com a sala que tem passagem para o banheiro cuja janelinha tem de ficar afastada da cozinha que permite acesso ao quintal por onde se passa pela janela do quarto e se chega à sala novamente.
A construção da personalidade se irradia pelo tempo de vida, personalidades emergem em um mesmo corpo tal qual paredes e cômodos em um terreno fértil à construção civil. E isso parece-me uma teoria plausível, talvez, se devidamente desenvolvida, pode vir a ser uma grande teoria sobre a personalidade que irradia, talvez não - depende de qual personalidade a desenvolver, bem como, de em qual cômodo da casa for armazenada. Fato pontual é que talvez demolir casinhas espontâneas para erguer prédios idênticos seja estratégia para amortizar personalidades frente à uniformidade, talvez, guardar cada personalidade num cômodo a ser acessado cada qual no momento específico, seja restringir a proliferação (novamente, não pejorativa) de mais e mais e mais e mais encontros e personalidades irradiantes possíveis.


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