segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nada de nada.


A INCRÍVEL HISTÓRIA DO HOMEM QUE COMEÇOU O ANO SEM NADA (DE NADA) NO BOLSO.

(Mas essa história só fará sentido se você ler essa aqui: http://gabrielcoiso.blogspot.com.br/2016/12/um-e-sessenta.html )

O homem saiu de casa para os festejos de virada de ano (vulgo: "Reveion"). Em sua mochila alguns legumes, uma troca de roupas. Em uma sacola de pano, um par de chinelos e dez latas de cerveja - foi o que deu para comprar com os vinte reais que tinha em mãos no dia anterior, e, ainda, colocar créditos em seu bilhete único para chegar ao local do festejo. Bilhete único, inclusive, que guardou na carteira que guardou no bolso enquanto estava no primeiro trem que pegou no dia. Permaneceu alguns minutos em espera em uma grande estação central - cheia de caminhos, para diversos rumos e atendendo tanta gente. Após a espera, no trajeto rumo ao segundo trem do dia, no entanto, alguma coisa aconteceu. Antes, ainda, entre a espera e o trem, foram a um guichê que vende salgados, a carteira não saiu do bolso, mas estava lá (uma rápida tateada por cima do tecido confirmou a presença do volume). Ao se sentar em um dos bancos do trem, nova tateada no tecido e "Cadê minha carteira?". Não caiu no banco não caiu no trem não caiu no trilho não caiu na plataforma não caiu na escada não caiu no corredor de acesso não caiu no balcão de informações não caiu no outro corredor de acesso não caiu no guichê que vende salgados. Quer dizer, se caiu, alguém a subtraiu, mas não pareceu o caso. Certamente foi entre um corredor e outro, ali onde ocorre um afunilamento do fluxo de humanos, que algum das "esbarrões" entre corpos não foi tão acidental assim, e sim uma atitude proposital e bem calculada. Alguém "achou" uma carteira. Pobre deste alguém, que deve ter se julgado o mais esperto dos larapios, o mais malandro dos lacaios: não havia um centavo sequer dentre os cento e sessenta constatados no dia anterior, não havia cartão válido para conta bancária, apenas um quarto de dúzia de documentos de um Zé Ninguém sem um vintém para caso ocorresse de cair duro no chão. A verdade, no entanto, e por fim, é que o homem terminou um ano e começou o ano sem nada de nada em seus bolsos.


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