terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Meia-Noite.


Como era de se esperar, pela lógica do tempo socialmente construído, os festejos de virada de ano chegaram à virada do ano, e, precisamente a meia-noite, quando alguns fogos pipocavam no céu, e as pessoas se abraçavam mutuamente, o rapaz (eterno projeto de 'homem-adulto', até segunda ordem), possivelmente engasgado com um ovinho de codorna, começou a vomitar. Vomitar e vomitar. Vomitou por cerca de um minuto, talvez dois. 
Uma voz amplamente respeitável, exalada em parceria com um sorriso brejeiro e parceiro, comentou: "Coloca esse ano que passou para fora, rapaz". Pois era exatamente isso que acontecia. Ano praguejável, período desonroso, baderna pejorativa, meses repugnantes, semanas asquerosas, ocupações duvidosas. Tudo isso se foi, via gorfo, à meia-noite.
O sorriso mais lindo do mundo se abriu. Um ano se vai, outro começa, a vida prossegue. Que sorriso lindo, que abraço gostoso. 
Mais tarde outro rapaz, com auxílio de uma mangueira, fazia com que o vomito seguisse rumo à rua: "Desculpa ter vomitado no seu quintal", "Tudo bem, Reveion é pra essas coisas, o ano foi uma bosta, você tá se limpando".
"Cadê o Bom-bril?". Teve uma vez, mas isso já faz tempo (já se passaram dois Reveions) que me disse: "Toda virada de ano eu queimo um Bom-bril". Como assim? Seria uma piada? Seria uma metáfora para algum tipo de droga jovem que se queima por aí? Seria algum tipo de história? "Tá na minha mochila, mas é Assolan". Não. O assunto é concreto mesmo.
Tradições são reinventadas, rituais se complementam, se recriam. Elementos de um se juntam ao outro.  É bom passar por um momento ritual junto de pessoas que entendem das coisas da vida.

Reveion 2016-17.


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