sábado, 17 de dezembro de 2016

Interior.


A prioridade é arrumar um trampo, na verdade, um emprego no interior. Digo "emprego" e não "trampo", pensando que trampo é qualquer atividade remunerada, e emprego pode ter a ver com a tal "profissão", essa espécie de autocova que venho cavando ao longo dos últimos oito ou nove anos, numa leitura suave, dez ou onze, numa leitura densa dos acontecimentos e tarefas desenvolvidas.

Mas peraí, o tema do texto é esse?
Não, não é não. Desculpa, me distraí.
Certo.

A prioridade é arrumar um emprego no interior.
Depois é formar uma banda nessa cidade no interior.
Depois participar da cena de bandas no interior.
Também é viver o dia a dia no ritmo do interior.
E frequentar os jogos de futebol da equipe dessa cidade do interior; talvez até torcer por ela.
Fazer compras aos domingos na feira do interior.
E praguejar o sistema de transporte público da cidade de interior.
Olhar o horizonte em fim de tarde e suspirar aliviado por se tratar do por do sol no interior.
Comer em restaurantes baratos, com preço de interior.
E andar pelo bairro cumprimentando senhoras e senhores do interior.
Ter uma conta no barzinho com cara e cheiro e produtos do interior.
E mal dizer o modo de se fazer política no interior.
No meio disso tudo, ao longo do ano, desfrutar das festas que rolam no interior.
E sem perder tempo visitar as cidades na região no interior.

Bom, acho que é por aí.
É, dá pra entender a ideia.
Tem muita coisa pra fazer no interior.
Mas tudo começa com um emprego?
Sim, me parece que sim.
Por que?
Capital inicial.
Credo.


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