terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Dois Dias Seguidos De Suspiros.


D.D.S.D.S.

Dois Dias Seguidos De Suspiros.

Dois Dias Suspirados De Sopros.

Duas Datas Seguidas De Suspiragens.

Duas Datas Suspiradas De Sopradas.

Suspirei, apenas mais uma vez, mantra silencioso contínuo nestes últimos dois dias. No pé do ouvido, na cabeça do ombro, na amazônia capilar, no muro do pescoço. No som girava um velho vinil do Belchior. Apesar do pesar emanado a cada suspirada, a cada sopro; apesar das notas ecoadas mal e porcamente em razão da agulha velha e suja; apesar dos incessantes ruídos que adentram a partir da rua; apesar do canto incalável dum galo que mora numa casa vizinha, havia silêncio. (Não me parece coisa rara que dias de suspiros sejam, independentemente do tanto de ruídos que existam, repletos de silêncio). "Poucas palavras bastam", diz o poeta, e o fez por aqui repleto de metalinguagem: em meio ao silêncio dos sopros suspirados, poucas palavras bastaram para entender que, apesar dos suspiros soprados em dois dias seguidos, poucas palavras bastam para o suspiro e seus motivos passarem. 
Cogito, sob o nascer da lua, já com menos suspiros, que talvez esse efeito curativo por cima das feridas seja parte constituinte indelével (e não "in the level") do que é o amor - e ao perceber tal sentença, suspiro, mas esse é outro tipo de suspiragem, embora, estando no raio temporal das Duas Datas Sopradas De Suspiragens, talvez deva ser adicionado à conta dos Dois Dias Seguidos De Suspiros, bem como, ao resultado da conta toda deste "texto".



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