domingo, 26 de junho de 2016

Pacote textuoso.


Texto desencontrado.
Teve um dia em que eu simplesmente larguei mão de alcançar "o melhor". Hoje eu deixei a televisão ligada na disputa do terceiro lugar da Copa América e achei incrível como o estadio estava vazio e isso soou incrível por que a seleção do país-sede estava disputando o jogo, mas é compreensível, trata-se dos estados unidos da américa e eles tem essa obsessão por ser sempre "o melhor" e aí os caras estão lá disputando terceiro lugar que merda tem que ser primeiro tem que ser o melhor se não é looser terceiro lugar é looser; eles ficaram em quarto e consigo imaginar os cinematográficos texanos falando ardido what a fucking them looser forth place. Simplesmente larguei mão de alcançar "o melhor", e fui seguindo a linha até chegar a pipa, apenasmente isso mesmo: larguei mão e com um desgaste colossal fui puxando a linha da pipa até que ela chegasse às minhas mãos - eu vou fazer, eu estou fazendo, eu fiz, eu tentei dar o meu melhor, mas larguei mão de alcançar "o melhor". Acho que isso não aconteceu em um dia, talvez em "um dia" eu tenha escrito isso em algum papel que se perdeu ou tenha tido esse estalo mentalmente, mas foi um fruto processual como todo bom fruto. Estou num período em que eu simplesmente não sinto mais saudades, não me considero mais aquele ser amorfo mofando por respirar só saudades, parece que elas já tem uma residência fixa e eu consegui lidar com isso sem ser como uma exceção escabrosa; também não me considero mais aquele sujeito repleto de expectativas positivas e perspectivas bacanas (isso sempre dura pouco tempo, bem menos do que o desejável). Larguei mão de fazer "o melhor" em nome do desejo de fazer, chegou um ponto em que eu realmente pensei que fazer já seria "o melhor", o que não quer dizer que não dei o meu melhor, quer dizer que eu alcancei uma conceituação de melhor, e isso é sempre frustrante quando: lidamos com múltiplas conceituações de algo assim; somos ansiosos e inseguros; temos a cabeça tal qual nuvem flutuante se dispersando por entre paisagens distintas e diversas; temos de lidar com um golpe. Estava lendo um texto muito bom quando dei um alt+tab para descansar o cérebro um pouco vendo besteira na internet e então tropecei em bosta pesada, coisa fétida mesmo: a onda separatista quebrou na costa, a areia é lisinha e clara, a praia é de tombo; alguns berbigões se esconderam na areia e deixaram como rastro pequenos furos, outras ondas, do mesmo separatismo vieram em seguida, conseguiram caçar berbigões cansados e arrastá-los para dentro do mar, outros seguiram em um fluxo de se esconderem até serem desescondidos. Seria interessante, mas acho que isso fica para depois, fazer um texto sobre a noite em que faltou luz aqui no bairro. Não foi de um dia para o outro também, mas foi um pouco antes de largar mão de alcançar "o melhor", eu tive consciência de que talvez fosse a pessoa errada na hora e lugar certos, uma definição assaz pesada e até xarope, mas que não tenho lá muita vergonha em usar, por que me soa legítima: eu olho em volta, olho para trás, rolo as páginas de textos diversos, vejo as fotos, a bagunça no quarto, a infinidade de sujeitos com passagens fluídas e curtas em um período relativamente curto - quanto mais a gente vive, mais um período tem que durar para soar "longo" - e me certifico da quantidade de questões confusas e mal amarradas, definições de índole questionáveis pois duvidosas; ouvi também um compilado de canções minhas do período que organizei num fim de noite de insônia e reforço essas noções, vejo nas músicas que ouço coisas que cheiram muito mal por terem soado tão bem para todos esses sentidos. É sincero dizer que larguei mão de alcançar "o melhor" e também é sincero equacionar o errado-certo-certo. A grande verdade é que olho para todos os produtos finais (inclusive no espelho, onde vejo a carne processual de todos os frutos) e penso que levo um vazio - sendo que esse próprio vazio, o do link, é fruto do período, embora seja da etapa em que eu ainda não havia largado mão de nada, mas parece que eu partilho certa crença nesse vazio todo que preenchi com palavras perdidas.
Até que ficou um texto encontrado, parece um pacote.


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