quinta-feira, 2 de junho de 2016

Acabar.


Uma dificuldade sempre foi acabar. Dar por encerrado. Pode parecer besta, mas acabo me apegando de maneira muito intensa às coisas que devem ser feitas e por mais sôfregas que elas sejam eu não consigo simplesmente acabar levantar lavar as mãos amarrar os cadarços e sair por aí. Coloque nessa tigela desde fazer um almoço e comê-lo até terminar um relacionamento relativamente longo ou consideravelmente curto - o lance da dificuldade está também justamente em perceber que há uma temporalidade girando no cronômetro mas ignorá-la e tratar segundos com a mesma intensidade com que trato os anos - e não vejo nisso um defeito ou algo a ser corrigido. No ano seguinte ao que terminei o ensino médio eu frequentava a escola semanalmente, e um inspetor dizia que eu ainda não havia conseguido cortar o cordão umbilical; era uma boa metáfora, e isso já faz quase dez anos. É um troço burro, sobretudo no que diz respeito às coisas que geram desconfortos, e aí, da dificuldade em encerrar o desconforto, mais desconfortos nascem e crá crá crá crá vocês já sabem. 
Verso zero.
Bom, ainda faltam questões pontuais por organizar, também há costuras e amarras mais sólidas por realizar, justamente, a fim de tornar o texto sólido. No entanto, não é cedo para dizer: "eu escrevi uma dissertação de mestrado".
Parabéns, cara.
Que é isso, para você também, parabéns.
Não, eu não mereço os parabéns.
Claro que merece, estamos juntos.
Rapaz, passei o tempo todo te desvirtuando da coisa. Você merece todos os parabéns, e em dobro: você venceu as suas dificuldades e me venceu.
Mas é justamente por isso que você também merece os parabéns: vencemos as nossas dificuldades e nos vencemos, um ao outro, nessa guerra tão atroz pelo nosso corpo e pelo nosso tempo.
Será sempre esse conflito?
Não sei. Mas vamos em frente, sigamos fazendo.
Isso mesmo. Fazendo de tudo.
Faremos. De tudo.


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