quarta-feira, 11 de maio de 2016

O meu retrato do golpe - II


Foi poucos dias depois que o Roberto Jefferson começou a jogar as coisas no ventilador, em 2005. Eu e a Marcella ainda não namorávamos, mas estávamos numa época juvenil de flertes tão adolescentes quanto perdidos. Depois namoramos por três meses, no auge de nossos dezesseis anos.
Matamos uma aula - salvo engano, de História do Brasil - para ficarmos em uma sala vazia ouvindo uma rádio de notícias. Acho que era a CBN ou alguma afiliada à rede globo. Na época não tinha essa coisa de smartphone (vocês se lembram) e para ter notícias em tempo real tínhamos que usar aparelhos como o rádio AM/FM, com transmissões direto de Brasília.
Lembro-me que Marcella vestia uma camiseta vermelha com estampa do rosto do Che em preto. E que um professor, já recordado aqui, passou e falou "molecada, já era, acabou, voltem para a aula". No rádio um locutor efusivo sugeria que para Lula restavam apenas duas opções: renúncia ou suicídio. Lembro que Marcella falou "suicídio é mais honroso". 
Um outro comentarista no rádio dizia que era o caso de instaurar um processo de impeachment.
Um outro comentarista no rádio dizia que era o fim do PT, que era o fim de Lula, que era o fim daquele governo, que ele deveria ser deposto imediatamente.
O golpe não é de hoje, e quem viveu, quem se lembra, lembrará.



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