segunda-feira, 23 de maio de 2016

Glória.


Li o nome de um mercado elitista em uma publicação qualquer na webredeinternetohyeah e aí lembrei de quando eu descia do ônibus no ponto ao lado dele em geral por alguma razão consumista - dar uma volta na região de comércio central da cidade que havia ali perto antes de ir pra casa - ou por alguma razão burocrática - ir resolver algo em cartório ou terminal de ônibus ou coisa do gênero que havia por ali - ou por alguma razão social - ir me encontrar com alguém para realizar qualquer tipo de socialidade - ou por alguma outra razão profissional - me encontrar com um bom colega com o qual eu desenvolvia uma pesquisa ali na região central e a gente volta e meia tomava uma cerveja e fumava um cigarro em algum bar por ali antes de ir ao lugar da pesquisa que também era por ali. 
Verso 7.
Em 2012 esse dia do ano foi bem pesado.
Em 2013 eu estava em casa de boa meio que me recuperando.
Em 2014 eu não lembro, ou estava na Alemanha Ocidental ou bem perto do local das recordações indicadas acima incrível não me recordar disso tive de recorrer aos aparatos tecnológicos para me recordar e foi um dia bem bacana curioso não tê-lo registrado na memória de pronto por que será? Bosta.
Em 2015 esse dia deve ter sido mais um dentre os tantos de suspensão do termo "casa" no singular (e foi mesmo) e de estar meio perdido (e estava mesmo).
Em 2016 penso que essa coisa toda da memória é um grande balão de ensaio que a cada ano que passa (pensando na questão do dia único) ou dos meses ou mesmo do tempo como categoria "coisa" mais ampla que é acontecida por nós e se vai e se torna isso, não saber ao certo o que aconteceu; é como se fosse um grande balão de ensaio às cegas e para quem tem bons dispositivos de memória tê-los é o oposto da paz; sendo um balão de ensaio às cegas, seria como se os elementos colocados nele de maneira irresponsável explodissem. 
A memória trai, a memória engana. Mas a memória também dá aquela emocionada e nos distraí do que deve ser feito por ofício. Fazia tempo que eu não me recordava dessa cena de tomar uma cerveja com o bom colega, em geral a gente saía do lugar da pesquisa e ia andando de volta para a universidade, ou às vezes eu pegava o ônibus para voltar à escola e dar mais aulas ou participar das reuniões.
Mas numa coisa a memória não me traiu, pelo contrário, a memória ajudou-me a entender algo que no presente dos fatos eu não compreendi: em meio à tantas lembranças, saudades, dolorismos diversos causados pela passagem do tempo e a certeza das escolhas erradas, entendi que tudo isso só foi sentido por mim pois no período compreendido entre o vinte e três de maio (que engraçado, nome de avenida grande) de dois mil e treze e o de dois mil e quatorze, o que eu experimentei foi a tão dita estabilidade, era isso que me dava aquele sabor glorioso n'alma tanto às sextas quanto às terças ou quintas ou quartas e mesmo nas praguejadas segundas, também passando pelos sábados e domingos, evidentemente. Estabilidade, construída à duras penas e destruída com um toque tão leve quanto o de uma pena pairando no ar. 
Que fechamento horrível para esse texto.
Quer dizer que você acha que o texto até ele estava bom?
Não, mas tinha uma ideia.
Tinha?
Bom, tinha começo, meio, fim.
E desde quando isso te agrada?
Bem, é o que tem que ter num texto não?
Você não é o bonitão que volta e meia gosta de largar a referência àquele único texto do Brecht que você leu mal e porcamente em 2010?
Sim, mas...
Não tem "mas" meu amigo, olha que porcaria. Olhe com atenção. Tá cheio de "por aí" no primeiro bloco, depois falta um monte de vírgula e a linguagem é sofrível. Isso não é um "texto". Não importa que tem "começo, meio e fim". Nem Brecht nem o mais porco dos escritores de novelas bonitas para emocionar a audiência valorizariam esse entulho.
Você também já vai logo jogando com extremos. Não tenho que agradar nem Bertold nem Glória.
Que glória? Você acha que tem alguma glória nesse seu textinho? Tem glória nenhuma nisso, só você vai ler essa porcaria, e se mais alguém ler, só você vai entender.
Não irmão. Falei que não tenho nem que agradar ao Bertold Brecht, nem à Glória Perez. Você falou aí de autor de novela bonita e eu citei o nome de uma autora de telenovela, sacou?
Ah tá, achei que você estava falando de glória, tipo algo triunfante e cheio de heroísmo.
Não................. Está vendo? Isso é um fechamento glorioso para esse texto.
Você não aprende. 


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