segunda-feira, 2 de maio de 2016

Existência.


Às vezes eu acordo e fico berrando pela casa acho que já falei sobre isso. Aliás, isso não falei: quando eu percebo que acordo eu preciso emitir algum tipo de barulho ou grito ou berro, não sei, não estou aqui para explicar a minha necessidade de me reconhecer enquanto ser humano vivo/acordado. Bom, mas ai tem aquele ritmo cotidiano que eu expliquei aqui já e ai me parece que isso tem afetado um pouco a minha percepção dessa questão humana-acordada. Eu não queria explicar isso mas parece que não vai ter lá muito jeito.
Verso 27.
Esses dias eu tive uma tosse bem chata por vários dias meu deus quanta doênça. Daí agora (3/5/2016, 1h02min) eu desci pra pegar um negocinho pra passar a régua no dia e me dei conta de que eu não estou mais tossindo. "Desde quando será que não estou mais tossindo? Quando foi que eu reparei que não estou mais tossindo? Será que eu não estou mais tossindo mesmo ou será que me acostumei com a tosse e sigo tossindo mas sem perceber?". Parei por alguns instantes de frente pra pia da cozinha sem fazer nada além de perceber o funcionamento do meu corpo. Engoli uma bolotiva, dei uma profungada no nariz. Dai eu fui ao banheiro e dei uma gargarimpada. "Bom, parece que a tosse passou, também, tomei dois vidros de xarope industrializado, e dois de um que fiz aqui em casa, haveria de passar". 
Eu sou uma pessoa que acorda de manhã e berra. Eu sou uma pessoa que sofre de diversos males alergênicos - quando faço aqueles testes de alergia costuma dar uns 70% de reação - e mesmo assim consumo todo e qualquer tipo de rangos em todo e qualquer tipo de lugar - toda esquina é aeroporto para um débil avoado. A verdade é que eu ouvi demais aquela música do Alice in Chains quando era jovem e acho que processei errado a mensagem, digo isso pois virei os caras que procuram as respostas nos books and degrees. Mas não é esse o ponto. Eu não sou lá muito respeitoso com os ciclos ou ritmos ou necessidades ou o que for do corpo, mas ai nesse instante, olhando pro espelho do banheiro, eu confesso que fiquei meio chateado por ter passado por um período de tosse escrota que eu tanto praguejei, que me tirou o sono por várias noites, e não ter dado a mínima atenção ao meu corpo no sentido de perceber que, ufa, a tosse passou - xô caralho voador - e eu voltei a respirar bem, e a dormir bem, e a passar a régua em alguns dias tomando um negócio gelado bem, e a acordar pela manhã e poder reconhecer a minha existência gritando bem.
Pronto, expliquei isso.

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