terça-feira, 17 de maio de 2016

Doênça (II).


Repito com as mesmas palavras até por que trata-se de repetição (d)o que eu falei outro dia: "nunca em tão pouco tempo, com intervalos tão curtos e com tamanha constância me recordo de ter passado tantos períodos mergulhado em doênça". É realmente assombroso o que vem acontecendo, alguma medida tem de ser tomada, algo tem de ser feito, não é possível uma coisa dessa. Nem nos períodos em que eu vivia nadando em negocinhos a coisa era tão descambada como tem sido. E repito o que disse e trago novas informações ao texto por uma razão simples e óbvia: aconteceu de novo. Lá fui eu, com o corpo escroto, semi-arrastado, até o balcão da farmácia pedir um medicamento e voltar para casa me sentindo mal e tomar o medicamento torcendo para que ele me provocasse um daqueles sonos súbitos de vinte horas seguidas, suadouro e o escambal que costumam ser coisas que fazem com que o corpo melhore. Dessa vez foi uma crise alérgica. Na verdade, vamos em ordem cronológica. Primeiro foi um olho que plác começou a doer de dentro para fora e inchou e me fez comprar um colírio que rende certo alívio mas que não dura muito. Em seguida saí de casa para passar algumas horas na rua em situação social e foi uma coceira na testa seguida de coceira no queixo e no pescoço e atrás das orelhas e atrás da nuca e desceu para o peito "por favor, você tem anti-alérgico? Me vê um do mais barato. Tanto faz ser líquido ou em cápsulas; aliás, qual o mais barato? Me vê do líquido então. Obrigado". E então dormi, e acordei, e os pequenos pipocos vermelhos não estavam mais na testa - "vitória do povo!", pensei - e ai comecei o dia trabalhando e assim fui o desenvolvendo até que saí para comprar alguma coisa para comer e quando retornei a coceira havia retornado - não farei uma metarelação entre sair na rua, nessas ruas, e retornar alérgico, não, nunca, jamais, já fiz - e então precisei tomar outra dose do remédio e mais duas horas de sono caído com a cara no computador lutando contra a doênça, a alergia e os prazos para o término do trabalho. É muita doênça, para pouco tempo.
Verso 13.


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