domingo, 22 de maio de 2016

Despecando.


Verso 8.
Levantei a cabeça e olhei o reloginho no canto inferior direito: 01h08min. Tentei lembrar qual tinha sido a última hora que havia o olhado, mas não me recordei. A última mensagem enviada pelo celular foi às 00h08min. Coincidência. Eu estava passando um reboco em um parágrafo que, de maneira arquetípica ao mundo dos adultos, já havia sido usado sem problemas recentemente. Mas eu estava lá, procurando um grafiato para passar naquela parede. Que eu me lembre é a última coisa de que me lembro. Pelo visto eu levantei e tirei as coisas da cama, tem um monte delas espalhadas ao seu redor. Alguns livros, que precisam estar sempre à mão, eu joguei na cadeira mesmo. A garrafa d'água acordou ao meu lado, vazia, e me lembrei que durante a noite levantei e a procurei e a bebi com a sede de quando sou tombador de garrafas, mas essa noite não o fui. Nem se quer um mínimo gole. Estranho. Estranhezas. Ontem eu fumei dois cigarros, fazia tempo que não fumava, daí me deu tosse de novo ou ainda, não sei precisar, e aí eu tomei meio copinho de xarope. Talvez ele tenha me dado sono, mas, todo modo, não justifica um apagar assim de maneira tão tênue, a ponto de cair com a cabeça no teclado. Sobretudo por que era 01h08min, eu havia acordado 15h16min, e, certamente, seguindo a rotina, voltaria a ter sono só lá pelas 05h - essa vida com relógios digitais por todos os cantos não deixa nada escapar. Incrível. Bom, vamos seguindo. 
Ps.: dá até vontade de repetir a mesma pergunta noutros termos: qual a diferença entre um despencar e outro, se são ambos símbolos da mesma necessidade por exageros e, em última instância, despencar?


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