quinta-feira, 14 de abril de 2016

Rotina.


Meus dias têm tido a seguinte estrutura: acordo como um pão passo um café tomo o primeiro café do dia me desgostando com as notícias e fumando um cigarro e já enfio a cara no computador para brincar de artesão das palavras etnográficas. De certa forma é bom, mas de certa forma não, mas o dia que deixar de ser assim não serei eu fazendo a coisa. Depois de umas quatro horas eu tenho que passar outro café, uso, inclusive, o mesmo filtro de papel usado ao acordar, tanto por razões pseudo ecológicas quanto por motivos de sabor, se eu já estiver com fome vejo se tem alguma coisa para rango e almoço, se não tiver nada desço até um mercado do bairro, inclusive com nome de bairro, e compro alguma coisa, se não tiver com fome eu passo o café e volto a cara para a frente do computador onde passarei mais algum tempo, até dar fome. Depois que eu almoço eu tomo mais café e fico com a cara no computador, até cansar mesmo. Normalmente quando isso acontece eu janto ou tomo banho. Uma coisa curiosa que tem acontecido é que eu tenho tomado banho apenas dia sim/dia não, acho que essa média vai mudar para dia não/dia não/dia sim quando chegar o frio. Depois que eu jantei e/ou tomei banho eu volto com a cara pra frente do computador e dos livros - importante mencioná-los, mesmo que no fim da prosa, sempre tem uns três ou quatro livros em volta do computador na mesa ou em cima da cama, às vezes depois da paçoca toda eu vou dormir e tem tanto livro na mesa que eu não tenho nem pique de colocá-los de volta na prateleira e durmo com eles na cama ou os deixo em cima da cadeira mesmo por que a mesa está com o computador e cheia de tralhas. Normalmente eu faço isso tudo de cueca, quando meu pai está em casa, ou pelado, quando ele não está em casa. Hoje estou sozinho e ai fui urinar no banheiro que tem na sala onde tem um espelho oval relativamente grande. Enquanto eu urinava olhei para o meu corpo nu de perfil e olhei para a minha bunda e dei um tabefe nela de baixo pra cima e ela mexeu e remexeu como que fazendo ressoar o tabefe. "Caralho essa porra de ficar sentado numa cadeira velha e dura de frente prum computador o dia inteiro está destruindo o meu corpo estou envelhecendo de mais em pouco tempo olha toda essa flacidez", dei outro tabefe e confirmei a molenguice da bunda como um fator a ser encadeado para pensar o envelhecimento corporal que ainda me assusta e que ainda penso como precoce. Mas preciso dormir, amanhã eu trabalho.
Verso 46.
Ps.: importante ressaltar que nos intervalos para descer e pegar café, almoçar, jantar, comer pão, gritar correndo pelado ou de cuecas pelos espaços da casa, eu sempre acabo dando uma atenção para o Ditão, o cachorro que mora embaixo de uma mesa de escritório posicionada em frente à máquina de lavar roupas no quintal de casa.


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