sábado, 9 de abril de 2016

Nada-nada.


É bem verdade que acordei tarde, e também que comecei a trabalhar tarde. Precisava/queria ir ao mercado e ainda inventei de comprar uma massa para fazer bolo que estava barata, dai fui fazer o bolo e tudo o mais. Também é verdade que enquanto esperava o bolo assar peguei para ler um artigo que rendeu ótimas luzes sobre o que deveria fazer e que consistia como "trabalho" - na verdade eu já estava trabalhando, então, consideremos que o dia útil de Gabriel começou às 17h30, que foi o instante em que coloquei o bolo no forno e olhei no relógio do microondas para calcular o tempo que levaria pra assar e fui ler. Então olhei no relógio e eram 5h12, "bom, acho que deu de trabalhar nesse texto por hoje não? Vamos descansar". Peguei aquela cerveja que estava gelando e metade do pacote de pickles - eu precisava/queria ir ao mercado - e subi para me deitar na cama e descansar. Eu sempre demoro algum tempo para desbaratinar do trampo e conseguir pegar no sono. Não sei por que imaginei que ia me deitar na cama com pickles e cerveja e ouvir alguma boa música e esperar o desbaratinamento chegar e seria tudo zen. Se transcorreram dois minutos olhando para o ventilador circulante à minha frente, tapando parte da bagunça do armário aberto, foi muito. É incrível como me assusta a possibilidade de não fazer nada, de descansar no sentido mais puro da palavra. Me assusto, realmente, com o modo como a ideia de "ficar parado" me inquieta, apavora, desajusta e faz, no mínimo, descer até a sala e pegar o computador para escrever esse texto enquanto tomo cerveja e como um quarto de quilo de pickles.
Verso 51.

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