quinta-feira, 21 de abril de 2016

Desorganizado.


Verso 39.
Daí teve um dia em que eu recebi um e-mail do serviço de biblioteca da faculdade falando que o prazo dos livros que eu havia retirado estava para vencer, e eu deveria devolvê-los no dia seguinte. Como ainda estou os usando acessei o site da biblioteca para renovar o empréstimo mas, surpresa negativa, não poderia renovar um deles. "Bom, assim sendo, vou para a faculdade amanhã, xeroco o capítulo mais relevante no momento e o devolvo". Rapaz, não é que eu tive que investir todo o dia nisso? Digo, foi um dia inteiro só para ir até a universidade xerocar trinta páginas e entregar um livro. Quando estava pedalando de volta da faculdade me recordei de um dia peculiar em Marília. Na época morava a menos de um quilômetro da universidade, havia chegado em casa da escola onde dava aula, estava calor, eu tinha acabado de almoçar e, pelado com um cigarro apagado na boca, esperava a água ferver para passar um café e com o café passado acender o cigarro. Antes da borbulha se fazer na caneca de alumínio meu celular tocou, era um funcionário da graduação me perguntando se eu não iria para a colação de grau, que começaria em dez minutos. Havia esquecido completamente disso, e me vesti às pressas, saí correndo, atravessei rodovias e corri pela calçada da faculdade com o cigarro apagado na boca. Quando cheguei a cerimônia já havia começado, e fui orientado pelo funcionário que me ligou para aguardar o fim da coisa toda e fazer o "juramento" junto do diretor, o que ocorreu. Por fim, com o grau devidamente colado, saí da sala, me sentei ao lado da porta e acendi o cigarro. Fez sentido me recordar disso enquanto voltava da universidade aqui em São Paulo, onde fui apenas para devolver um livro, pois entendi que uma das coisas que me causa tanta gastura por aqui é o fato de que eu sou desorganizado, esqueço das coisas, dos compromissos, quando tenho agenda esqueço onde a pus e quando uso a do celular esqueço de marcar os eventos nela. Eu sou isso, eu sou assim, e em São Paulo isso é um problema, por que coisas que seriam pequenos eventos (devolver um livro) se tornam um grande empreendimento (um dia inteiro). Encheu o saco, pra falar a verdade. E eu não me vejo muito disposto a mudar um traço que me agrada em minha personalidade - a tranquilidade - em razão dos ritmos e distâncias duma cidade não - se fosse a última cidade do mundo pra se viver até me esforçaria, mas não é.


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