terça-feira, 12 de abril de 2016

Bibida.


Uma vez eu saí pra comprar cerveja e meu pai perguntou se eu não achava que estava gastando muito dinheiro com bebida. Ele tem um jeito de lidar com as coisas em que pergunta ou comenta uma vez só, depois, quando elas se repetem, ele não pergunta ou comenta, apenas olha. Eu acho que eu tinha dezesseis anos quando tomei um esculacho do meu vô sem que ele me dissesse nada, apenas me olhou. Daí em diante eu entendi bem como funcionam algumas hierarquias que, de certa forma, marcam o desprezo de quem está acima mas te dão certa liberdade para agir. Ninguém vai dizer nada, ninguém vai te impedir de nada, vão olhar
Verso 48.
Eu já pensei mais sobre essa questão do consumo de cerveja e de bebidas acoólicas em geral, embora o meu foco seja mesmo a cerveja. Mas eu não penso com relação à dinheiro gasto, penso em comparativo com o resto da vida que vai pelo ralo. Tanto que, na única vez em que meu pai fez a pergunta, minha reflexão com ele foi de que eu não me preocupava por estar gastando dinheiro com cerveja, me preocupava mesmo era a angústia pela sensação do tempo passando como que em vão, sem lá muito aproveitamento. Pelo menos eu tenho dinheiro pra tomar uma cerveja. 


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