quarta-feira, 9 de março de 2016

Não existe bicho papão.


Era fim de domingo quando uma moça com um carrinho de/com bebê em uma mão e uma caixa de papelão em outra entrou no vagão da CPTM em que eu estava, com destino final no município de Francisco Morato. A acompanhavam um homem, que segurava duas caixas semelhantes, e um garoto serelepe que devia ter uns 4 anos de idade. O carrinho com o bebê foi encostado entre um vão e um banco, ao garoto foi indicado que se sentasse e assim que as portas foram fechadas a mulher e o homem começaram a anunciar o que traziam nas caixas: "olha ruffles e doritos um real", "olha o tuix e o suflair leva três e paga só dois reais", "água, água, água". As falas que anunciavam os produtos eram entremeadas por puxadas de atenção ao garotinho, chamado Lucas, que com o trem em movimento não permanecia quieto e sentado, e se movimentava junto. Dado instante Lucas colocou a cabeça para fora da janela, e a mulher, ao ver tal cena, gritou sem titubear: "Lucas, olha o guarda!". Rapidamente sua cabeça voltou para dentro do vagão, o garoto encolheu todo o corpo ocupando apenas um espaço sentado no banco. Lucas olhou em volta e não viu guarda, acusou a mulher de estar mentindo: "não tem guarda agora mas vai ter, então para quieto", respondeu ela. Lucas parou quieto.


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