segunda-feira, 7 de março de 2016

Na Biqueira.


Quando me passaram o endereço puxei pela memória e vi que saberia chegar lá pedalando numa boa, escolhi uma tarde nublada pra encostar lá. Amarrei a bicicleta na frente de um comércio qualquer e entrei pra comprar alguma besteira, só pra dar uma sacada na avenida e trocar a nota de cinquenta - me orientaram a levar o dinheiro trocado e já chegar com ele na mão. Saí da loja e fui caminhando, sem olhar pra trás nem muito para os lados, fui firme. Percebi que havia chegado no local quando me vi fazendo parte de um pequeno alvoroço de pessoas com dinheiro trocado nas mãos - essas pessoas, na verdade, eram 'o local'. Era tudo muito rápido, você dizia o que queria sem enrolar, e uma das duas pessoas 'do lado de lá' dava uma virada e/ou uma abaixada e já te servia. Tinha um cara parado do lado dessas duas pessoas, e todo mundo pagava pra ele logo após pegar; era um intervalo bem curto entre pegar e pagar, não dava tempo de formar fila para a segunda ação. Uma das pessoas que servia olhou pra mim e não falou nada, também, nem precisava, era a deixa para eu falar o que queria. Por ter observado o modus operandi dos que compraram antes de mim, os imitei no modo de falar e então fiz o meu pedido: "me vê dois sonhos, um de creme o outro de chocolate". O balcão de doces da padaria é uma verdadeira biqueira.


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