segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Uma noite de Hard Core em Jundiaí.


Fui convidado pelo Jean Silva, cujos clicks ilustram este texto (veja o trampo dele aqui) para ir a uma noite de hard core em Jundiaí/SP. Se tratava de um ótimo time compondo a noite: as bandas locais Disordia e Fetus Humanóides, e os Menores Atos e os Bullet Bane. O preço do ingresso eram convidativos  R$10,00 (sim, dez reais), tínhamos carona para ir até Jundiaí e eu estava estou com uma saudade danada de rolê no interior paulista. Não neguei, obviamente.
Fomos de carro com o guitarrista do Disordia, que me falou um pouco sobre a cena local, o lugar em que seria o rolê (o Aldeia Jundiaí, que a parte ter dado uma sampleada no logo do Alice in Chains, é um pico bem bacana) e sobre os corres da banda. 
O Aldeia fica numa ladeira, perto duma praça, dum hipermercado e de uma área comercial. Essa pequena região, numa sexta a noite, agregava centenas de jovens dos mais variados estilos, perspectivas, bairros - vendo a movimentação das galeras deu até pra lembrar do saudoso clássico do Anjo dos Becos.
Eu estava distraído com o monte de apetrechos decorando a casa quando o Disordia começou a tocar. Era aquela coisa do salão a frente do palco estar bem lotado e o pessoal apenas assistir ao show. O som tem aquela centralidade veloz bem amparada pela sujeira das guitarras, solos cremosos e pausas ousadas bem marcadas no tempo. Os rapazes estavam vendendo CDs, camisetas, adesivos e posteres com ilustrações belíssimas, feitas por eles próprios - e felizmente, pelo que saquei na banquinha, o trampo foi bem prestigiado/comprado.


O show seguinte, conforme me explicou um jovem antes do rolê, era aguardado pela rapaziada da cidade com especial ansiedade, por se tratar do retorno aos palcos do Fetus Humanóides. "Isso aqui não é cinema não", falou o vocalista algumas vezes. De fato, é um show bom para jovens aguerridos na arte da roda, não é para ficar parado saboreando uma skol beats. Som pesado, guitarra e baixo em afinações graves e o vocal cheio das guturalzices & estridentices, harde core pesado, bicho. Gostei quando entre uma música e outra os integrantes comentaram a atitude babaca do Phil Anselmo e se posicionaram contra qualquer tipo de comportamento fascista, racista, machista em meios do hard core. 


Não vou me furtar de comentar que assim que acabou o show do Fetus parecia que haviam furado um colchão inflável, e metade do público murchou para fora da casa. Desaventurados aqueles que vão para ver a banda do amigo e não veem todos os shows, perderam o Menores Atos e sua belíssima apresentação de melodias bem construídas, com vocais aveludados e a atuação envolvente do público - perderam, inclusive, a oportunidade de se tornarem parte deste público. Mas quem perdeu, perdeu, e quem ficou foi agraciado por mais uma bonita apresentação desse trio.


Quando o Bullet Bane começou a tocar confesso que eu já estava bem cansado, mas os ouvidos jamais desligam. Era o primeiro show deles que eu via, e a variação rítmica e até um pouco estilística do som - já marcante no decorrer dos álbuns - foi me redespertando para o som; quando eu vi já estava de pé me balangando de frente ao palco. Devo dizer que achei bem bonito o começo da apresentação dos rapazes, em que tocaram a belíssima "Capadócia", como que pedindo licença para entrar no palco e lançar os sons seguintes.


Por ter ido com alguém que ia trampar no rolê o fotografando fiquei até o fechar das portas. Acompanhei os meninos do Disordia saudando os funcionários e (me pareceu) o responsável pela casa. Nesse meio é tão bom quando você vê organizadores de eventos - em geral jovens cheios de vontades, multicriativos e hiperativos - e donos de casas - muitas vezes cabreiros com o underground - dizendo a mesma frase: "muito obrigado, foi muito bom para nós". 

Aproveito estas linhas, ainda, para agradecer ao Renan, Fernando e aos Matheuses do Disordia - pela carona, recepção e pelo rolê. 


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