segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Reflexão Fecal às 23h39


23h39 foi o instante em que olhei para o reloginho de canto de tela do notebook. Havia sentido alguns instantes antes o início de caminhadas intestinais que indicavam uma movimentação para formação de bololô festivo. Em seguida uma pequena fécula gasosa foi embora do salão, alguns instantes e outra; o intervalo para a saída da terceira foi menor. O que era mero bololô festivo começou a ganhar traços de pequena balada noturna em plena quinta feira, passou para o estágio de bloquinho de carnaval e então para o ponto de festa aberta pelo aniversário de São Paulo com shows gratuitos e distribuição de bebida à vontade e transporte público gratuito para as pessoas chegarem e toda a população da cidade transitando pelas ruas e praças do centro expandido. Conheço meu corpo e gosto de festa, logo notei se tratar de um convite para a Festa do Cocô Graúdo. 23h39, e fui para o banheiro. Sentei-me no vaso sanitário e olhei em volta: "isso já aconteceu hoje". Notei que a festa não era o alvoroço de grandes dimensões que havia imaginado pouco antes das 23h39: quando olhei não havia um rato em tão larga escala afogado debaixo do meu eu sentado. O pensamento em seguida foi longo (corri para anotar): "às vezes eu digo que a vida é um troço esquisito, por vezes bosta demais, por vezes buenna de mais. Mas se tem um negócio que a vida não tem de ser é ajustada ou equilibrada, não para mim. E se não o é no geral, por que haveria de ser justamente com as fezes? Se eu faço de três a quatro refeições por dia, por que defeco apenas uma? Essa conta não fecha...". 


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