terça-feira, 19 de janeiro de 2016

vazio.


Todos os rolamentos e engrenagens,
Se acomodam bem à descida,
E não é necessário fazer força,
Para seguir adiante,
Ou ouvir os pequenos ruídos,
Dos rolamentos e engrenagens,
Me fazendo descer,
A toda velocidade.

Não há ninguém por perto,
Algumas luzes estão queimadas,
E são poucos os carros,
Passando ao meu lado.

Não é um vazio prazeroso,
Para o qual se diz,
"Ufa, estou sozinho,
Vou pôr a mão na consciência".

Não é um vazio contemplativo,
Para o qual se diz,
"Belo balançar de árvores,
Incontáveis estrelas no céu".

Não é um vazio reflexivo,
Para o qual se diz,
O que quiser dizer,
"Ninguém me ouvirá".

Centenas de prédios iluminados,
Cemitério fechado,
Lojas escuras,
Padaria sem pão.

O semáforo aberto,
Ou fechado,
Tanto faz,
Não há ninguém,
Para atravessar.

Os buracos na calçada,
São agora visíveis,
Não há pedestres,
Tropeçando neles.

As engrenagens deslizam,
Driblam o espaço,
Vago e esburacado.

É um vazio temeroso,
Repleto de nada,
E por isso tenso.

É um vazio cercado,
Por muros e muros,
E eles têm ouvidos.

É um vazio veloz,
Os carros passam,
Mas não são alguém,
São peças no vazio,
Em movimentos impessoais.

É o vazio,
A falta do outro,
Torna suspeito,
Qualquer outrem.

Quem é este,
Que ousa romper,
Com o vazio?

É um vazio que flerta
Com o puro desespero,
Escancara a imensidão,
A dimensão incalculável,
Dos espaços da cidade,
Assim criados para serem tudo,

Menos vazios.


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