quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Quando trabalhar vira trabalho.


Em 2013 eu era professor na rede pública estadual, e estava meio decidido que naquele ano eu prestaria mestrado. Em julho, quando entrei em férias, comecei a estudar para a prova teórica e esboçar um projeto. O projeto, no entanto, deveria ser apresentado apenas após a aprovação na prova teórica e em um exame de inglês, o que me fez deixá-lo de lado: "pra quê gastar tempo escrevendo o troço se eu nem sei se será necessário apresentá-lo?". Aguardei a aprovação na prova de inglês. O engodo foi que, entre o resultado do english test e a data para entrega do projeto, havia apenas três dias, e em dois destes eu teria que dar aulas. O projeto já estava pronto - na minha cabeça e em dezenas de pequenas anotações em caderninhos - e não era, ao menos em termos da minha sustentabilidade na época, a ocupação central: escrevê-lo se configurava mais como lazer do que como aprisionamento laboral. O escrevi rindo, me divertindo, tomando café e fazendo graça com a Mariângela (eu não tinha computador na época, e fiz o projeto usando o computador dela, na casa dela). Passaram-se dois fucking anos e agora chegou a hora de escrever a dissertação. No entanto, atualmente, esta é a minha principal ocupação, a minha atividade laboral utilizada como uma identificação pessoal quando me perguntam "o que você faz?". É a partir dela que pago as breves biritas da semana e os meus remédios para diarreia. Não estou escrevendo como deveria, não estou rindo, achei que estaria me divertindo mais e não tem a Mariângela para eu fazer graça. Quando a coisa vira obrigação, vira trabalho, vira necessidade-consequente, parece que minha catchola entra em breve desespero, em grande chateação e em intensa atuação black bloc. Por exemplo, se eu fosse empregado de algum jornal ou site e fosse responsável por escrever pequenas crônicas como esta, com certeza minha cabeça se auto sabotaria, e ao final de cada semana eu teria prontos os capítulos da dissertação que devo criar agora. 

("Mariângela faz uma foto minha pulando na direção da luz pra comemorar que eu tive um 'fiat lux' aqui no projeto"):

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