quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Doença crônica.


Breve relato de José Gomes Neto - XXX:

"Lembro que às vezes eu cortava caminho para chegar à sua casa. Havia um hospital perto dali, na verdade ao lado do seu endereço, e por uma caminhada entre escadas e corredores, parecia que o caminho para chegar à sua porta ficava mais curto. Atribuo a eficiência deste atalho, na verdade, à minha ansiedade por ver-te, sempre incontrolável; até por que, eu nunca cortava caminho para voltar. Certa vez, nos passos largos que me guiavam ao seu abraço, entrei no hospital e desci uma escada e virei uma esquerda e quando cheguei à porta que me deixaria na sua rua, ela estava fechada. Era sábado, e só a abriam em dias de semana, me informaram. Eu cortava caminho para te ver por dentro de um hospital, hoje em dia ainda me sinto doente, cronicamente doente, por ser tão apegado às lembranças do que ocorria após o caminho - cortado ou inteiro".

José Gomes Neto,
Cretino doente incurável,
6 de Julho de 2012.


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