quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Doença crônica.


Breve relato de José Gomes Neto - XXX:

"Lembro que às vezes eu cortava caminho para chegar à sua casa. Havia um hospital perto dali, na verdade ao lado do seu endereço, e por uma caminhada entre escadas e corredores, parecia que o caminho para chegar à sua porta ficava mais curto. Atribuo a eficiência deste atalho, na verdade, à minha ansiedade por ver-te, sempre incontrolável; até por que, eu nunca cortava caminho para voltar. Certa vez, nos passos largos que me guiavam ao seu abraço, entrei no hospital e desci uma escada e virei uma esquerda e quando cheguei à porta que me deixaria na sua rua, ela estava fechada. Era sábado, e só a abriam em dias de semana, me informaram. Eu cortava caminho para te ver por dentro de um hospital, hoje em dia ainda me sinto doente, cronicamente doente, por ser tão apegado às lembranças do que ocorria após o caminho - cortado ou inteiro".

José Gomes Neto,
Cretino doente incurável,
6 de Julho de 2012.


A matemática dos dias.


A matemática dos dias às vezes tem resultados mais imprecisos do que os cálculos que levaram uma gestão municipal a crer que seria bom para São Paulo construir um viaduto que ligasse a Barra Funda à Consolação. É curioso como, em uma primeira visita desatenta a momentos passados que surgem brevemente na memória, os resultados soam mais imprecisos ainda. Coloquei a coletânea com bandas de Marília para tocar e inevitavelmente chegou no trecho em que há as músicas da minha banda. Aliás, antes disso, ouvir este cd é passear pela memória do período em que os shows das bandas que nele estão e o contato com a galera que o fez era uma rotina tão cheia de inadjetividades positivas e benéficas à minha vida que encerro a frase por aqui. Quando chegaram as músicas do Zababô Zebrinha, jesus, que onda acachapante me levou para comer areia e restos de concha submersamente. Me recordei do dia da gravação daquelas canções, me remeti ao grito desesperado (interpretado como irônico por alguns) fora de lugar no meio da música, retornei à cerveja gelada tomada entre escondidas lágrimas na sala de mixagem. A matemática burra da primeira sensação foi a de esboçar alguma saudade com relação ao período, mas, ah, isso jamais existirá - nem preciso pensar muito para me recordar que isso não existe. A borrachinha da moça do Kumon foi ligeira em apontar o erro: a matemática daqueles dias talvez deva ser tomada como símbolo maior da vida a não seguir jamais nunca mais pras contas dessa vida.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Para além das buzinadas - I.


Voltei de Marília (cidade querida, que saudade) para São Paulo faz mais ou menos e exatamente dois anos. O motivador disto era fazer um mestrado em Antropologia Social, tocando uma pesquisa de caráter etnográfico com torcedores de futebol. No entanto, assim como dizia que em Marília fiz duas faculdades - uma na Unesp e outra no Cão Pererê - brinco de ouso dizer que neste período de retorno a São Paulo realizo duas pesquisas: uma com os torcedores e outra sobre os modos de vida paulistanos.
Houve um período, e agora já falo mais abertamente sobre isso, em que eu cogitava diariamente a ideia de ir embora. Inspirar-me no rapaz que rasgou as notas da apuração de carnaval, pegar as folhas todas que tinha ao meu redor, rasgá-las e ir embora. 
Quando isso estava no nível de fazer planos sobre para onde eu iria, tive alguns dias de calma e tomei algumas decisões, dentre elas organizar uma bicicleta. Comecei a pedalar por ai, e foi bacana. Me deu uma motivação outra para tocar a vida aqui. 
Isso tem a ver com a pesquisa sobre os modos de vida dos paulistanos pois tem me permitido vivenciar a rua e o trânsito sob outra perspectiva, a de agente atuante neste - já que não dirijo, e meus deslocamentos eram todos por meios de transportes públicos.
Às vezes estou passando com minha bicicleta por aquela estreita faixa cinza, entre a rua e a calçada, e um mínimo desvio, seja escapando de um buraco e caindo para o centro da rua, seja olhando para o lado oposto de onde vem os carros (para ver se vem mais carro), e logo ganho uma buzinada e/ou um grito. 
Um ponto a se considerar é o de que a mídia, desde o início da implantação das ciclofaixas por uma gestão do PT, faz a sua parte em inflamar os ânimos contra o sujeito - tomado como anímico, desprezível e menos paulistanamente humano - em cima da bicicleta. 
Mas o que há para além das buzinadas? O que há para além dos gritos de "sai da rua", "vai tomar no cu" e "ciclofaixa do caralho"? (Listei alguns dos que ouvi nos últimos dias, e que me trazem a este texto). Simbolicamente, o que estão comunicando?
Neste capítulo de minha pesquisa informal sobre os modos de vida paulistanos ainda não cheguei a uma conclusão direta, mas tenho alguns apontamentos a fazer.
A lógica do carro é burra, explico citando apenas um exemplo - a pesquisa é informal. 
Outro dia permaneci cerca de três minutos em um canteiro central duma avenida, eram mais ou menos 19 horas e a quantidade de carros por ali bem grande. Enquanto aguardava o semáforo de pedestres de um lado abrir, acompanhei os carros que passavam do outro lado. No período de três minutos o semáforo para carros abriu duas vezes, e na faixa mais próxima ao canteiro passaram, na primeira vez, nove carros, e na segunda, oito. Contei quantas pessoas havia em cada carro, sendo que, do total de dezenove carros que passaram, dois tinham duas pessoas, e o restante uma. Portanto, a lentidão para a circulação de pessoas é causada pelo volume de carros.
O que há de conclusividade nisso? O trânsito não é formado por pessoas em trânsito, mas sim por pessoas atravancadas em amontoados de aço, engenharia e tecnologia parados. Isso é irritante, suponho.
E mais irritante ainda, creio, é estar lá, dentro do seu sonho de consumo, do produto dos seus dias de trabalho - que é pago com o suor dos seus dias de trabalho - os vidros fechados para aproveitar ao máximo o vento gélido do ar condicionado pago com a cara gasolina, e ao seu lado passa, assobiando, bem mais rápido do que você (por que não está parado) uma porra dum ciclista.
Ele pedala sorridente, usa um capacete com adesivos ilegíveis e agora parou de sorrir para assobiar. O semáforo abriu, ele se foi, você ficou. Mais a frente, na mesma avenida, outro semáforo atravancando o seu retorno para casa - que nem é tão longe do trabalho assim - e você vê, lá na frente, o maldito ciclista.
Mandá-lo tomar no cu, buzinar agressivamente para ele, erguer o braço, o dedo médio etc. Isso é tudo que lhe resta, pois, para além das buzinadas, está a frustração ao ver que o modo de vida que enfiaram na sua cabeça como "o único possível", não é tão eficiente assim em uma cidade que cada vez mais se parece com uma toupeira manca tentando alcançar uma pequena e ligeira rã que lhe serviria como alimento.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Quando trabalhar vira trabalho.


Em 2013 eu era professor na rede pública estadual, e estava meio decidido que naquele ano eu prestaria mestrado. Em julho, quando entrei em férias, comecei a estudar para a prova teórica e esboçar um projeto. O projeto, no entanto, deveria ser apresentado apenas após a aprovação na prova teórica e em um exame de inglês, o que me fez deixá-lo de lado: "pra quê gastar tempo escrevendo o troço se eu nem sei se será necessário apresentá-lo?". Aguardei a aprovação na prova de inglês. O engodo foi que, entre o resultado do english test e a data para entrega do projeto, havia apenas três dias, e em dois destes eu teria que dar aulas. O projeto já estava pronto - na minha cabeça e em dezenas de pequenas anotações em caderninhos - e não era, ao menos em termos da minha sustentabilidade na época, a ocupação central: escrevê-lo se configurava mais como lazer do que como aprisionamento laboral. O escrevi rindo, me divertindo, tomando café e fazendo graça com a Mariângela (eu não tinha computador na época, e fiz o projeto usando o computador dela, na casa dela). Passaram-se dois fucking anos e agora chegou a hora de escrever a dissertação. No entanto, atualmente, esta é a minha principal ocupação, a minha atividade laboral utilizada como uma identificação pessoal quando me perguntam "o que você faz?". É a partir dela que pago as breves biritas da semana e os meus remédios para diarreia. Não estou escrevendo como deveria, não estou rindo, achei que estaria me divertindo mais e não tem a Mariângela para eu fazer graça. Quando a coisa vira obrigação, vira trabalho, vira necessidade-consequente, parece que minha catchola entra em breve desespero, em grande chateação e em intensa atuação black bloc. Por exemplo, se eu fosse empregado de algum jornal ou site e fosse responsável por escrever pequenas crônicas como esta, com certeza minha cabeça se auto sabotaria, e ao final de cada semana eu teria prontos os capítulos da dissertação que devo criar agora. 

("Mariângela faz uma foto minha pulando na direção da luz pra comemorar que eu tive um 'fiat lux' aqui no projeto"):

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

vazio.


Todos os rolamentos e engrenagens,
Se acomodam bem à descida,
E não é necessário fazer força,
Para seguir adiante,
Ou ouvir os pequenos ruídos,
Dos rolamentos e engrenagens,
Me fazendo descer,
A toda velocidade.

Não há ninguém por perto,
Algumas luzes estão queimadas,
E são poucos os carros,
Passando ao meu lado.

Não é um vazio prazeroso,
Para o qual se diz,
"Ufa, estou sozinho,
Vou pôr a mão na consciência".

Não é um vazio contemplativo,
Para o qual se diz,
"Belo balançar de árvores,
Incontáveis estrelas no céu".

Não é um vazio reflexivo,
Para o qual se diz,
O que quiser dizer,
"Ninguém me ouvirá".

Centenas de prédios iluminados,
Cemitério fechado,
Lojas escuras,
Padaria sem pão.

O semáforo aberto,
Ou fechado,
Tanto faz,
Não há ninguém,
Para atravessar.

Os buracos na calçada,
São agora visíveis,
Não há pedestres,
Tropeçando neles.

As engrenagens deslizam,
Driblam o espaço,
Vago e esburacado.

É um vazio temeroso,
Repleto de nada,
E por isso tenso.

É um vazio cercado,
Por muros e muros,
E eles têm ouvidos.

É um vazio veloz,
Os carros passam,
Mas não são alguém,
São peças no vazio,
Em movimentos impessoais.

É o vazio,
A falta do outro,
Torna suspeito,
Qualquer outrem.

Quem é este,
Que ousa romper,
Com o vazio?

É um vazio que flerta
Com o puro desespero,
Escancara a imensidão,
A dimensão incalculável,
Dos espaços da cidade,
Assim criados para serem tudo,

Menos vazios.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Meu amigo Artur.


Breve relato de José Gomes Neto - XXVI: 


"Quando garoto morava em um bairro onde havia bastante molecada, e nós sempre brincávamos em um terreno baldio. Havia um garoto chamado Artur, que tinha dois apelidos "Tuco", como era chamado pela mãe e a maioria da molecada, e "Pei", esse mais maldoso: Artur nunca dizia "peido", falava "pum", mas às vezes dizia "pei" e rapidamente se corrigia, dizendo "pum". Não me recordo quem foi que começou a o chamar de "Pei". Certo dia um novo garoto chegou para morar no bairro e entrar pra turma. Se chamava Artur, e era chamado pela família como Tuco. Resolvemos o assunto de dois nomes e apelidos iguais da forma mais simples possível: o segundo Artur se tornou o Tuco oficial, e o primeiro se tornou o "Peituco". Algum tempo depois a vida deu outra solução pro assunto dos apelidos: Peituco foi atropelado, e o bairro ficou mais triste. Sempre tive saudade do Peituco".

José Gomes Neto,
12 de Outubro de 2006,
Saudades Pei Tuco.



Quê que eu faço com essa massa toda?


Breve relato de José Gomes Neto - XXIX:


"Tive por um tempo aquele ótimo interlocutor, a quem eu jamais ousaria chamar de amigo. Era uma espécie de parede supra animada com quem eu conversava frequentemente. Na verdade eu também não chamaria aquilo de conversa, visto que a grande maior parte do tempo era eu quem falava. E falava. Certa vez a parede interlocutória deu uma ideia: "deixe o objeto de lado, vamos pensar no fenômeno". Que tijolaço é chegar neste ponto. Fiz isso. Como se tivesse entrado em uma boa cantina italiana e pedido uma bela lasanha, mas em vez de comê-la em pedaços, com todos os ingredientes a cada garfada, me concentrasse em desmembrá-la. Restou apenas a massa. Placas de massa amarela, avermelhadas pelo molho, empilhadas no prato. Eu olho pra massa, aquele monte de objeto sem fenômeno, eu me recordo do sabor dos fenômenos, estão ainda por aqui, nos cantos da boca, debaixo da língua e no topo do esôfago. Eu olho pro prato: 'quê que eu faço com essa massa toda?'".

José Gomes Neto,
12 de Fevereiro de 2014,
Objeto sem fenômeno.



sábado, 9 de janeiro de 2016

Explosões.


Foi em alguma quinta feira no segundo semestre de 2012. Lembro mais ou menos da data pois naquele semestre a gente quase sempre ensaiava às quintas feiras no Cão Pererê, endereço antigo, das 21h30 até mais ou menos a meia noite. O Pelego sempre passava em casa antes, pra gente comer alguma coisa, planejar o que faríamos no ensaio, trocar uma ideia, curtirmos um som etc. Foi numa dessas quintas feiras que ele falou "deixa eu te mostrar um negócio". Lembro que a internet não estava boa, ou meu computador estava com alguma lentidão, e demorou pro "negócio" carregar. Lembro que naquela época eu queria que transformássemos o Zababô Zebrinha numa banda instrumental, e um ensaio com o público de apenas uma pessoa nos incentivou maliciosamente a tal. Quantas coisas acontecem em três anos? Sobretudo, quantas coisas nesses anos pra parecer que faz tantos anos a mais. O Latour tem aquela ideia de procurarmos identificar os sujeitos das redes sociotécnicas para pensarmos os fenômenos, os acontecimentos sociais (ou algo assim), e acho gostoso lembrar disso tudo agora, sentado no chão do Cine Joia, esperando começar o show do Explosions In The Sky, o "negócio" que o Pelego me mostrou naquela noite.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

deus Debocha - III.


Já faz quase cinco anos que eu escrevi sobre isso (e isso), mas a sensação sempre retorna: deus Debocha, de mim (de você e de nós). Seja quando rola aquela sessão de malcriaçãozinha, ou aquela sessão de nostalgiazinha, ou até naquela revisitação crítica a um momento de festa. Pois não é que ultimamente, no joguete divertido do rapazolão dono de todas as coisas, ele cismou de me colocar do outro lado do muro em situações semelhantes à vividas em outrora? Olho para as coisas que estão acontecendo, meço bem as problemáticas em voga e percebo: "desgramado, ele tá repetindo a situação, mas agora eu estou do outro lado na coisa". É como se o deusgraçado estivesse dizendo: "vai lá papudão, você reclamou pra caramba de como agiram contigo, e agora, agirá como?". deus Debocha demais, talvez seja uma mensagem dele para que eu funde a Igreja Debochionista do Sétimo Dia de Todos os Dias.

Ps: eu não acredito em deus, se as coisas estão aparentemente sendo semelhantes, e eu estou do outro lado, é sinal de que a variação na vida tem sido pouca, mas ao menos alguma movimentação minha tem ocorrido nessa palhaçada toda, e agora estou 'do outro lado'.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Qual a necessidade disso?


Quando eu era criança, e até mais jovem, eu era um incendiário, e em certos tempos, um verdadeiro homem bomba. Período de férias na rua dos meus avós eu e meus amigos comprávamos bombas, fogos, rojões, luminosos etc tudo o que fosse incinerante e, preferencialmente, explosivo e barulhento. 
Nos últimos anos passei a olhar essas coisas com certa bronca, classificando tais artefatos como cretinice barulhenta do inferno, queima de dinheiro e de recursos naturais que atazana os ouvidos dos animais em nome de comunicações simbólicas: o novo ano, o nascimento de jesus, o gol do título, a chegada dos homi etc.
Em 2014, na noite do revéion, coincidiu de eu estar em uma praia em que uma molecada soltava fogos. Senti um temor estranho, me protegi deles, como que sentindo o anúncio de uma tragédia - o garoto incendiário não existe mais. 
Em 2015, de novo: teria fogos na praia onde eu estava. Por volta das 23 horas as pessoas passavam e perguntavam "você sabe onde vai ser a queima de fogos?", "sei lá bicho", respondia honesto.
Então chegou a hora da queima dos estopins e dos estouros coloridos no céu. 
Aliás, sobre esse instante, lembro que até pouco tempo era famosa a frase "no meu [relógio] já é meia noite". Dai você estava na praia com a sua família e uma tia dizia "falta um minuto", e quando vocês estavam se preparando para a contagem regressiva uma turma ao lado já estava estourando champanhe e fazendo os votos de feliz ano novo. Hoje, com essa padronização da hora, todos os aparelhos de smartphone marcam o mesmo segundo, sempre, e esse tipo de coisa não ocorre mais: os robôs estão mais sincronizados do que nunca.
Cogumelos coloridos e prateados e dourados se replicam no céu por toda a orla. Um rastro branco se transforma numa bola vermelha, e em dezenas de bolas verdes que se estouram em pequenos folículos dourados. 
Eu estava meio bêbado quando essas coisas aconteciam, e não entendi, mas parecia que os fogos no céu estavam se replicando em milhões de bolinhas prateadas sobre a areia.  
Eu estava meio bêbado, e demorei pra perceber que estas bolinhas, na verdade, eram as luzes dos flashs de milhares de smartphones nas mãos de pessoas vestidas de branco filmando a queima de fogos. Olhei para a frente, olhei para trás, a imensidão de flashs estava em toda a faixa de areia, de ponta a ponta na praia
Ao meu lado um garotinho segurava desengonçado um celular que, em sua mão, parecia uma grande telha de barro. Ele assistia o formar e desformar dos cogumelos coloridos no céu por meio da tela retangular do smartphone. Junto dele um homem adulto, uma mulher adulta e uma moça adolescente, todos realizavam esta, talvez, nova etapa do ritual de ano novo: registrar no celular a queima de fogos do reveion.
Tenho minhas dúvidas se é muito nobre abordar a questão dessa maneira, mas ainda ali na praia realizei a mim mesmo uma pergunta singela: qual a necessidade disso?