sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um e sessenta.


A INCRÍVEL HISTÓRIA DO HOMEM QUE  CHEGOU AO ÚLTIMO DIA DE 2016 COM APENAS UM REAL E SESSENTA CENTAVOS EM MÃOS.

No entanto, para contar a história sobre o último dia de 2016, e essa baixa quantia de dinheiro, é necessário retornarmos para o sétimo dia do segundo mês do ano anterior (vulgo, sete de fevereiro de 2015). Naquela data, sábado, anterior à semana que precedeu o final de semana do carnaval, o homem foi até uma agência bancária. Colocou o seu cartão em um dos caixas eletrônicos e estranhou, mas ignorou, quando, após digitar sua senha, surgiu na tela a informação de que a operação não poderia ser concluída. Trocou de caixa, sacou o dinheiro e vida que segue.
No entanto, e isso ficou sabendo alguns dias depois, como em uma ficção global, Doutor Albieri


estava escondido dentro, na verdade, em uma frente falsa naquele caixa eletrônico - escolhido aleatoriamente dentre os quinze da agência - e clonou o cartão do homem.
No entanto, para resolver o problema, explicaram a ele, não seriam necessários muitos procedimentos. Passado o susto, realmente parecia que a coisa seria simples: "Cancela isso daqui, cancela isso de lá, o dinheiro é reposto pelo banco, transferimos a conta para esta agência, lhe fornecemos um cartão novo, vida que segue".
No entanto, não são necessários muitos tropeços quando se lida com a burocracia multifragmentada de um megabanco polidividido por entre cidades estados gerentes funcionários caixas eletrônicos bocas de caixa envelopes de depósitos malotes de dinheiros frentes falsas carros fortes - "será necessário verificar as fotos feitas nos locais dos saques para verificar se não foi você mesmo quem fez os saques, levará dois dias a verificação, a gente te liga". 
No entanto, nesse intervalo, numa agência distante, há mais ou menos quinhentos quilômetros de distância, algum funcionário, aparentemente mais próximo da base da pirâmide burocrática fragmentada (que se assemelharia mais a um tangram ainda disforme), emitiu um novo cartão.
No entanto, como um mísero tropeço burocrático é suficiente para suspender os demais procedimentos, "Você tem de ir até essa agência, retirar esse cartão, e então transferir a conta", "A agência que está a quinhentos quilômetros?", "Isso", "E se não fizer isso?", "Bom, você pode continuar movimentando sua conta, mas apenas pela boca do caixa e com seu RG". Cansado dos tropicões burocráticos - diga-se de passagem, iniciados pois foi possível que instalassem uma frente falsa em um caixa eletrônico dentro duma agência hipervigiada (!!!) - emitiu apenas um "Ok", e vida que segue - com adicional de horas perdidas nas longas filas para saques diretamente na boca do caixa.
E então - sem "No entanto" desta vez - chegamos ao último dia do ano de 2016. A bem da verdade, ainda não chegamos ao último dia em si, porém, por algum tropicão burocrático - que, neste caso, pode ser tomado como "Alívio" para os trabalhadores do megabanco - as agências não abriram no penúltimo dia do ano, o último "Dia útil" de 2016. Sem ter como acessar a boca do caixa para sacar o seu suado dinheirinho, o homem sentou-se na escada da agência, em um cantinho com sombra, para pensar: "O que faço com os vinte reais que tenho na carteira?". Cerveja (para as festividades do último dia do ano) e créditos no cartão de transporte público (para chegar ao local das festividades). 
No entanto, chegou em casa e encontrou um real e sessenta centavos dentro de uma caneca plástica em que guarda quinquilharias na mesa de seu quarto, e passará o último dia de 2016 com apenas um real e sessenta centavos em mãos. 





quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Precisamos falar sobre a chuva.


Saí de casa com o intuito principal de realizar uma série de pequenas ações comerciais (típicas dessa época do ano) no centro de São Paulo. Carregava também o intuito coadjuvante de observar acontecimentos pelos meus trajetos e deles criar um texto - tanto que não me incomodei em ter de utilizar um bicicletário mais longínquo e caminhar por um relativamente longo trajeto. Tinha o temor de ser pego por uma avassaladora chuva (típica dessa época do ano) e, por fim de contas, a chuva se tornará o objeto do texto.


Ultimamente tenho tido uma onda de andar pela cidade e imaginar outras situações, permitam-me dizer, em "outras épocas". Parei para fotografar a silhueta das estátuas do Teatro Municipal quando uma garota indagou outra: "Quem foi o burro que escreveu 'Theatro' com 'TH' ali?". Mas isso não vem ao caso, vou escrever sobre a chuva.
Peguei a minha bicicleta no bicicletário da estação da Sé e escorreguei pelo centro até quase a Santa Cecília. Pararia, antes de seguir para casa, em uma loja que vende quadros para fotos. Foi ao sair da loja que me dei conta: "Vai cair uma chuva sui generis". Ventos, lixo girando pela rua, garota segurando a barra do vestido, morador de rua correndo atrás do papelão-colchão, céu "fechando" em nuvens carregadas. 
Foi ao alcançar novamente a Avenida São João (já próxima de seu fim) que me dei conta da iminência da tormenta que se anunciava. O céu em tom azul escuro, mesclado com um cinza chumbo, à leste, indicava que "iminente" era termo brando para o que ocorreria. No entanto, o céu azul claro e o fortíssimo vento que vinha da direção contrária (que fazia com que eu e mais dois ciclistas ficássemos em pé em nossas bicicletas para pedalarmos com força), davam alguma esperança de que a iminência da tormenta enfrentaria alguma concorrência.



Seguia na direção do céu aberto, contrário ao vento e de costas para o céu chuvaroso. De certa forma era bonito olhar para frente e ver o branco das nuvens e o azul claro do céu e, simultaneamente, em meu espelhinho retrovisor, ver as nuvens carregadas atrás de mim. Parecia uma perseguição, ou uma fuga - tomarei por fuga, visto que me senti fugindo da chuva tal qual Pierce Brosnan, Linda Hamilton & grande elenco fugiam da ira do vulcão.
Percorri a ciclovia debaixo do Minhocão com o pensamento fixo de que, caso o pé d'água desabasse, eu estaria protegido pela gigante minhoca de concreto. Não desabou, "Seguirei até a Barra Funda, quando chegar lá já estará chovendo e paro por ali". Passei pelo complexo de transportes da Barra Funda sendo tocado por alguns poucos pingos, que não foram suficientes para me fazer estacionar: "Dá para ir até o Sesc, lá paro e me protejo da chuva". 
NÃO FAÇA ISSO!
Foi o pensamento que tive - dessa forma mesmo, em letras garrafais - ao ver, já na Avenida Matarazzo, um letreiro digital num relógio de rua informar: "Zonas Norte, Oeste, Leste e Centro: atenção para alagamentos". Não seria o caso de parar  a mim e à bicicleta para esperar uma chuva de verão ocorrer e passar. O que se tinha por anúncio era, factualmente, a iminência da queda do céu sobre nossas cabeças (para citar os Gauleses).
A trilha sonora era composta por apavorantes trovões.
Comecei a pensar em Jesus. Havia uma comunidade (ou algo do gênero) de algum tipo de Cristianismo realizando atividades na Praça da Sé e na Praça do Patriarca (espaços que são interligados pela Rua Direita). Havia um grupo em cada praça realizando missas, pregações etc, e outro grupo realizando uma espécie de "Catequização Ambulante" por meio da Rua Direita: a percorriam em cantoria e com rápidas abordagens convidavam as pessoas a irem a alguma das praças para presenciar a missa ou o culto. Passei um bom tempo observando isso tudo (não seria exagero dizer que gastei bem uma meia hora nisso). Mas então, comecei a pensar em Jesus quando passei pelo Sesc e a tormenta ainda não havia desabado: "Jesus segura essa chuva pra mim, já estou quase em casa, só mais vinte minutinhos sem água, fiquei lá trinta minutos ouvindo os caras falarem de você, quebra essa pra nós vai". 
No Viaduto da Lapa o caos se mostrou irreversível. Por algum gracejo do destino um atípico helicóptero vermelho sobrevoava a região, e a tonalidade dele causava um contraste impactante com o céu de bruto azul marinho (quase roxo) que cobria aparentemente toda a cidade (exceto por aquelas paragens mais à oeste); parecia um morango malandro que rolou pelo chão do Ceagesp até chegar à festa das uvas; ou ainda um pequeno tomate cereja embalado confusamente em um vidro de azeitonas pretas enxutas macias saborosas importadas naquele mercado burguês. 
Cheguei ao outro lado do viaduto. Trânsito. Congestionamento. Buzinas agudas e graves apertadas à esmo. Um ônibus sanfonado atravessava toda a pista. Ofensas verbais pululavam às dezenas. Os semáforos estavam desligados. Veículos quase colidiam em uma pejorativa anarquia provocada pela ausência do vermelho, amarelo e verde - "apagou uma luz as pessoas não sabem como agir e quase se matam". O caos sempre pode ficar mais caótico quando se trata de São Paulo.
Ponte do Piqueri - "Segura essa chuva pra mim Jesus, só mais dez minutinhos". À minha direita, o Tietê mais poluído que cabeça de moleque adolescente machistinha, o céu de azul escuro com camadas de nanquim; à minha esquerda, o Tietê mais poluído que a ficha dos senadores golpistas, um sol de queimar a pele em ardência lancinante e fazer ela virar uma crosta dura e rígida para logo em seguida rachar, uma pequena clareira de céu azul claro (colocaram mais água do que aquarela nessa pincelada) e algumas nuvens de algodão alvejado. 
Venci a ponte e adentrei no bairro - Freguesia do Ó, meu pequeno oásis nesta cidade inescrupulosa - fui recepcionado de frente por ela, aquela massa cinzenta escura, concentração de água densa, "Não vai dar tempo, vai desabar a tormenta, vai cair o céu, o pé d'água vai correr por essas ruas e antes de tocar a rua vai encharcar o meu corpo, minha mochila e tudo que fui comprar no centro da cidade".


Não peguei chuva. Na verdade, a chuva não me pegou, e aqui no meu bairro não choveu. Talvez a chuva não fosse tão iminente quanto escrever um texto sobre ela - ainda que eu não tenha a vivido plenamente, apenas me apavorado em razão de sua iminência que não ocorreu, pelo menos para mim, mas dá para considerar que a vivi quando passei quarenta minutos pedalando e pensando nela e olhando para ela (embora ainda em outro estado físico que não o líquido

Com licença, o Gabriel às vezes fica na iminência de escrever textos sobre assuntos que martelam tanto a cabeça dele, que não sabe como acabá-los. Vim fazer isso por ele. Desculpem-me pelo inconveniente, mas nós precisávamos falar sobre a chuva, ainda que não tenhamos a vivido concreta ou liquidamente, apenas a visto enquanto formação densa e concentração abrupta de nuvens carregadas sobre uma parcela significativa da cidade de São Paulo no dia 20 de Dezembro de 2016 por volta das 16 horas.




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

03:32/01:08.


03:32.
Tem noites que são absurdamente difíceis de dormir - há uma série de fatores que fazem-me "noctívago" - e dessa vez não foi diferente. Levantei e fui ao banheiro, sentar na privada e pensar. Pensar. Pensar. Não nego que houve alguns dias nos últimos dois meses que por alguns segundos passou pela minha cabeça a frase "se eu tiver que ficar em São Paulo pro ano que vem acho que não vai ser tão ruim assim". Mas é só por alguns segundos. Ontem ela passou também, no final de tarde quente, pós-chuva, pedalando, sorrindo, vendo sorriso, cidade vazia, clima agradável, cerveja gelada. À noite eu não dormia, pelos motivos de sempre: barulho na rua, barulho no portão, cachorro latindo, galo cantando (meu vizinho, faz uns dois meses, cuida de um galo que canta indiscriminadamente por todas as vinte e quatro horas do dia), passarinho gritando (meu pai, faz um mês, pegou na rua um passarinho que não tem uma das patas e agora ele mora numa gaiola no quintal), gritaria na cabeça. Sentei na privada para pensar e, realmente, seria um absurdo cogitar a hipótese, por livre e espontânea vontade, de ficar em São Paulo pro ano que vem. Comecei a escrever qualquer bobeira no celular, e vi que eram três e trinta e dois da manhã. 
Talvez esse dado seja irrelevante, mas gostaria de adicionar que apenas peguei no sono quase às cinco da manhã, após mais alguns acontecimentos na rua, dentre eles, uma abordagem policial a um rapaz que estava parado no ponto de ônibus.

01:08.
Parece que a cada passar de ano o que outrora foi uma situação consolidada de determinadas pessoas em um lugar se dissolve pelos espaços e as pessoas estão, cada vez mais, distantes daquele local específico e aquela situação configura-se, mais e mais, como mera fonte de lembranças. Reconheço apenas um e outro nome na lista que saiu hoje dos aprovados para a pós-graduação. Vi os nomes, vibrei com dois, sorri com outros dois, os demais vinte e cinco, não me dizem o menor respeito enquanto significantes de pessoas. Vi a lista, vi os nomes, lembrei-me dos rostos - e aí foi aquele mergulho incontrolável: lembrei das pessoas lembrei das vozes lembrei das pessoas e suas vozes descendo a rampa virando a esquerda antes do passo íngreme ser a tônica da rampa e indo para a biblioteca de toldo azul que protege da chuva e que tantas vezes foi ponto para encontros diversos entregas de bilhetes para o restaurante abraços papos rápidos o banco de cimento e a pequena clareira entre algumas árvores onde certa vez desabei ouvindo música e lá embaixo na rampa tem um prédio e antes tem outro prédio e entre eles tem também um prédio e em todos eles posso dizer que habitam memórias minhas e depois do prédio tem mais prédios e estacionamentos e pomares e mesas e bebedouros e quadra e até um marcadinho e não importa a nomeação ou uso do espaço posso te garantir que nele ali moram memórias minhas. Já faz um tempo parei de encará-las com o pesar da nostalgia saudosista, e me animo por saber que eles ainda são fontes de vivências para outrem, aqueles que conheço (ou não), e que optaram por seguir fazendo a vida por ali. Exatamente à uma e oito da manhã, quando me recordei da rampa, confesso que bateu em minha boca o sabor das saudades.
Talvez esse dado seja irrelevante, mas o gosto que tenho na boca mesmo é o de uma sopa semi pronta (espécie de tang quente e semisólido) que preparei na última sexta e ainda estava na geladeira e que comi instantes antes de ver as listas.




sábado, 17 de dezembro de 2016

Interior.


A prioridade é arrumar um trampo, na verdade, um emprego no interior. Digo "emprego" e não "trampo", pensando que trampo é qualquer atividade remunerada, e emprego pode ter a ver com a tal "profissão", essa espécie de autocova que venho cavando ao longo dos últimos oito ou nove anos, numa leitura suave, dez ou onze, numa leitura densa dos acontecimentos e tarefas desenvolvidas.

Mas peraí, o tema do texto é esse?
Não, não é não. Desculpa, me distraí.
Certo.

A prioridade é arrumar um emprego no interior.
Depois é formar uma banda nessa cidade no interior.
Depois participar da cena de bandas no interior.
Também é viver o dia a dia no ritmo do interior.
E frequentar os jogos de futebol da equipe dessa cidade do interior; talvez até torcer por ela.
Fazer compras aos domingos na feira do interior.
E praguejar o sistema de transporte público da cidade de interior.
Olhar o horizonte em fim de tarde e suspirar aliviado por se tratar do por do sol no interior.
Comer em restaurantes baratos, com preço de interior.
E andar pelo bairro cumprimentando senhoras e senhores do interior.
Ter uma conta no barzinho com cara e cheiro e produtos do interior.
E mal dizer o modo de se fazer política no interior.
No meio disso tudo, ao longo do ano, desfrutar das festas que rolam no interior.
E sem perder tempo visitar as cidades na região no interior.

Bom, acho que é por aí.
É, dá pra entender a ideia.
Tem muita coisa pra fazer no interior.
Mas tudo começa com um emprego?
Sim, me parece que sim.
Por que?
Capital inicial.
Credo.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Dois Dias Seguidos De Suspiros.


D.D.S.D.S.

Dois Dias Seguidos De Suspiros.

Dois Dias Suspirados De Sopros.

Duas Datas Seguidas De Suspiragens.

Duas Datas Suspiradas De Sopradas.

Suspirei, apenas mais uma vez, mantra silencioso contínuo nestes últimos dois dias. No pé do ouvido, na cabeça do ombro, na amazônia capilar, no muro do pescoço. No som girava um velho vinil do Belchior. Apesar do pesar emanado a cada suspirada, a cada sopro; apesar das notas ecoadas mal e porcamente em razão da agulha velha e suja; apesar dos incessantes ruídos que adentram a partir da rua; apesar do canto incalável dum galo que mora numa casa vizinha, havia silêncio. (Não me parece coisa rara que dias de suspiros sejam, independentemente do tanto de ruídos que existam, repletos de silêncio). "Poucas palavras bastam", diz o poeta, e o fez por aqui repleto de metalinguagem: em meio ao silêncio dos sopros suspirados, poucas palavras bastaram para entender que, apesar dos suspiros soprados em dois dias seguidos, poucas palavras bastam para o suspiro e seus motivos passarem. 
Cogito, sob o nascer da lua, já com menos suspiros, que talvez esse efeito curativo por cima das feridas seja parte constituinte indelével (e não "in the level") do que é o amor - e ao perceber tal sentença, suspiro, mas esse é outro tipo de suspiragem, embora, estando no raio temporal das Duas Datas Sopradas De Suspiragens, talvez deva ser adicionado à conta dos Dois Dias Seguidos De Suspiros, bem como, ao resultado da conta toda deste "texto".



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um Singelo Passeio.


Acordei atrasado, é verdade. Mas foi aquele despertar de desenho animado ou história em quadrinhos: pulo da cama correria café engolido quase à força junto com pão vestir a roupa colocando os tênis enquanto escovo os dentes e saí. Tinha poucas coisas para fazer com curtas distâncias geográficas entre elas - era, em suma, pegar alguns ônibus, chegar, fazer, uma a uma todas as coisas, e ir para outro destino. 
T
R
A
N
Q
U
I
L
O
Teria sido. Ao atraso do despertar se somaram outros - "cadê o bilhete único? cadê o primeiro ônibus? cadê o segundo? cadê o terceiro? cadê a avenida sem trânsito?". Por razões de horário, geografia e urbanismo falho (embora esse último soe-me uma redundância braba) perdi a primeira das coisas que teria por fazer no dia. Consegui fazer a segunda (mas foi quase, olha, quase, quase mermo, que não consigo). A terceira coisa eu não consegui fazer, nem a quarta, e a quinta eu fiz um terço dela - quer dizer que daqui há alguns meses terei de voltar lá para resolver os outros dois terços.
Das coisas que eu tinha por fazer a única que consegui cumprir integralmente foi almoçar, o que, convenhamos, eu poderia ter feito em casa. Donde decorre a compreensão descrita mentalmente por minha cabeça de que foi um dia perdido. Um dia de passeio no que deveria ser um dia dos mais úteis. 
Um Singelo Passeio.
Mas aí eu penso que nem nos meus mais distantes pesadelos eu tiraria um dia de lazer para realizar esse tipo de passeio. Isso não é passeio não. Cheguei a pensar que talvez eu preferisse estar no estádio dos "rivales" durante um show do Guns Em Roses em que todas as letras das músicas dessa horrenda banda fossem substituídas pelo hino do clube atualmente pseudo dono do local - imagine só, em vez de "oooh oooooh ooooh sweet child o mine" a multidão cantando junto com o Chiliquento "oooh oooooh ooooh defesa que ninguém passa" - cheguei a pensar, não concretizei o pensamento.
Estava caminhando pelas alamedas arborizadas quando me dei conta de que acabou. Acabou mesmo. Não tem mais por que voltar. Três anos se passaram desde o dia em que caminhei por ali me sentindo gigante, dando pulos como fossem passos para simbolizar o tamanho dos sonhos que eu imaginava estar construindo (realmente fiz isso, e sei que em breve deixarei de ter essa interpretação pessimista). O registro para retirar livros não mais há, o registro para almoçar foi cancelado hoje (e quase que o cancelaram antes de eu conseguir almoçar) e o do ônibus ainda está funcionando ("mas só até o fim do ano letivo"). 
Tento olhar pelo lado positivo, realmente tem um lado positivo gigante, vários lados positivos; uma lua cheia brilhante de coisas positivas e boas. Mas tem também as coisas ruins, o lado negativo, e num dia em que pouca coisa deu certo, me recordei das épocas em que essa era a lógica dos dias e dos meses na minha existência por ali, por isso que foi impossível não olhar pro lado escuro da lua e não considerar este o dia de Um Singelo Passeio.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Quando que aplaude?


Tenho algum problema com aplausos. Quando estou na condição de espectador, em geral não sei o instante de começar a aplaudagem (e espero que alguém, ou alguéns o faça para seguir a manada). Quando estou na condição de aplaudido (aconteceu algumas vezes) não sei como agir, como agradecer (quando aconteceu, aplaudi junto). 
Bom, ocorre que esses dias fui assistir a um espetáculo de dança contemporânea. Tratava-se da apresentação dos trabalhos de conclusão do curso de licenciatura em dança, e eram várias apresentações curtas, uma em seguida da outra. O fim de uma era marcado pelo apagar total das luzes, e da escuridão deslanchava uma avassaladora onda de aplausos. Alguns segundos de escuridão, e então outra apresentação. Jogo rápido.
Teve um instante em que ficou tudo escuro, e alguém bateu palmas, mas ainda não era hora, e o movimento continuou por mais alguns minutos. 
Certo momento o espaço ficou escuro, e quando as luzes se acenderam novamente uma moça e um rapaz entraram no mesmo com uma grande escada de alumínio dobrável - uma entrada ágil e triunfal, um movimento ávido, moderníssimo, em um baita diálogo das pessoas com o objeto. Com certa dificuldade a abriram. Silêncio total no ambiente. A moça segurou um lado da escada e o rapaz tentou subir pelo oposto. A escada, no entanto, não estava fixa, deslizou um pouco, e o rapaz, em um movimento plástico de grande envergadura e ensaio, pulou dela antes de um grande tombo. Nessa fração de segundo, o rapaz que cuidava das luzes as piscou repetidamente ("que diálogo com os elementos do espaço", pensei), três outras pessoas entraram em cena, cada uma de um lado da sala. Entraram correndo, de pontos que, se interligados, formariam um triângulo. Havia agora quatro pessoas segurando a escada e uma tentando subi-la. Ao obter sucesso na escalada, um movimento de mãos do rapaz fez soltar do teto um longo pano vermelho, que, como um forte impacto, causador de traumas e hematomas, colidiu com o chão preto do linóleo, um espetáculo de contrastes iluminado por poucas luzes amareladas. O rapaz desceu da escada, duas moças a tiraram dali, outra tornou a sentar e a quarta ajudou o rapaz a moldar o tecido: cada um de um lado, o esticavam, mexiam, remexiam, alinhavam. Pararam, olharam para o tecido, para o chão, e seguiram cada um para um lado em passos parelhos, semelhantes, primos; ensaiados. As luzes se apagaram e fui o puxador dos aplausos, uma belíssima apresentação sobre como as construções coletivas, a junção dos corpos, permite que se alcance êxito nas ações cotidianas. O tombo, que seria do rapaz, que se tornaria mancha tão vermelha quanto o tecido, foi evitado graças ao esforço de um grupo, graças à força conjunta, à união de indivíduos em coletivo. Aquilo me prendeu toda a atenção. Aplaudi com gosto! No entanto, não era hora dos aplausos, outras mãos seguraram as minhas em sinal de repreensão: era só o pessoal arrumando o cenário para a próxima apresentação, e não um dos atos do espetáculo.
Eu nunca sei a hora certa de aplaudir, e depois dessa, não me atreverei novamente a supor que talvez eu saiba.


sábado, 12 de novembro de 2016

A Motorista.


Foi num dia desses recentes, naquela época em que eu aparecia pouco e quando eu aparecia o seu sorriso também o fazia grandiosamente e vinha acompanhado da frase: "tá sumido, hein?", e eu dizia (até ligeiramente cabisbaixo) "é, pois é...". Não a toa, quando acabei o trabalho que me fazia "ficar sumido", você foi a primeira pessoa para quem fui correndo pedalando o mostrar - até porque, nunca é demais lembrar: se hoje tenho gosto pela leitura e pela escrita, você foi uma das pessoas que plantou esta sementinha por aqui.
Bom, mas naquele dia em específico, eu tinha pouco tempo, entrei e me sentei em uma banqueta na cozinha enquanto você passava o café - beliscava um bolo também. Não sei ao certo por que, começou um assunto e, dele, surgiu uma história.
Foi lá pelos idos da década de 1960. As "crianças" eram ainda crianças sem aspas, bem pequenas, e em muitos domingos o pai delas tinha uma tarefa: pelo fato de possuírem uma Kombi, levava a turma do esporte para disputas em outros clubes da cidade. A você e às crianças, cabia esperar o retorno dos homens - tarefa que, pelo alongar da espera outorgada a você, soava-lhe um tanto quanto cansativa.
Você falou para ele (assim, como quem apenas anuncia, e não como quem pede autorização), que iria tirar a carteira de motorista e comprar um carro para si própria. Ele, cheio dos "machõesismos" da época, não gostou muito da ideia - mas não era ideia, era prática, você estava apenas anunciando, e não pedindo autorização.
Fez tudo o que tinha de ser feito para adquirir a habilitação, comprou o carro e a vida seguiu; aliás: seguiu a vida, dirigindo por aí.
Quis o destino que algumas semanas depois de me contar essa história eu estivesse pedalando pela Avenida Jabaquara (já não estava mais tão "sumido") e fui surpreendido por buzinadas. Quando olhei o barulhento carro, vi que, defronte ao volante, reinava grandioso o seu sorriso. Um rápido encontro, que durou um semáforo fechado perto da Praça da Árvore, mas tão cheio de significado quando pensamos que ele ocorreu em razão da ideia firme e imbatível tida em alguma época da década de 1960, em que você decidiu que se tornaria "A Motorista". 
Feliz Parabéns Vó!



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Criança.


[Leia esse texto acompanhado desta música].
Eu não saberia precisar se foi em 2008 ou 09, faz sentido que tenha sido em 8, mas talvez tenha sido em nove. Acho mesmo que foi em dois mil e oito sim. Bom, enfim. Ocorre que em uma sexta-feira (ou teria sido numa quinta? A memória nos trai...) ia ter música no anfiteatro da faculdade, um sujeito que parecia ser conhecido do pessoal, mas que não era exatamente alguém do pessoal. Enfim - tomo como certo que era 2008, meu primeiro ano na graduação - eu ainda não sabia ao certo qual era a dimensão do 'pessoal' por ali. Como era desde muito tempo um apreciador de música, não queria perder aquela oportunidade - digo, quando você é jovem e gosta de música e vai fazer faculdade e num dia te falam que vai ter música no intervalo da aula, bom, é o tipo de coisa que não se quer perder. Tratava-se de um homem alto, acho que tocava sozinho ao piano. Não! Disso me recordo bem, tinha um cabeludo na bateria e um rapaz tatuado com um baixo e ele, que era o nome do show e compositor da maioria das músicas a serem executadas, tocava o piano. Nas poucas falas que realizou ao microfone - a coisa me interessou mais ainda pois começava a nascer em mim um interesse pela música instrumental, que, desde então, desabrocha em livre ascensão - dava para perceber que ele não era de lá, ou daqui: um sotaque arrastado, algumas palavras ditas com certo ar de dúvida, mas sem temor por eventualmente não acertá-las. Mas então, dado instante da peleja, se dirigiu ao microfone e falou algo como: "êsta musicá ê sobre un sobrinio e una sobrinia [colocou as mãos na altura dos joelhos como modo de indicar se tratar de 'pessoas pequenas'] se chámá 'Criánça'" - tento reproduzir o sotaque por meio dos acentos, mas isso é um absurdo, me perdoem por manter essa licença poética tão criminosa no texto. Que momento! Eu não saberia descrever, seria também um crime com o vivido, aliás, tentar descrever. Recordo que me apoiei no encosto da cadeira na fileira a frente da que eu estava sentado - de madeira escura, com assento e encosto estofados, recobertos por uma espécie de corino verde - e assisti... aquilo, aquele indescritível aquilo, o ouvi mordendo o encosto da cadeira (dessa sensação eu lembro; talvez a marca dos meus dentes ainda esteja naquele pedaço de patrimônio estadual). Que momento! Quantas vezes naqueles anos todos tive o prazer de presenciar aquela música ser tocada nos auditórios marilienses, no Cão Pererê e até na rua. A ouvi com os batuques da Renata; a ouvi (por diversas vezes) sendo tocada pelo próprio compositor, Luca Bernar; a ouvi certa vez com um trompetista; em outra com um violonista; teve uma com um saxofonista; e teve uma tarde na 'Casa Cinco' em que o Pelego e eu tentamos tirá-la na guitarra (ele conseguiu, eu não). Até hoje - e desde aquele dia, certamente em 2008 - essa música 'faz' algo que não sei dizer. Liga em mim as cachoeiras, move minhas placas tectônicas, aciona as válvulas de minha caixa d'água em força máxima - qualquer metáfora com água serve para dizer que leva-me às lágrimas. Leva-me às lágrimas e não me privo das lágrimas, em geral acompanhadas da pergunta: "para onde vão as coisas que vivemos?". Música em estado artístico puro que faz-me pensar na vida sem-pensar; honestamente, acho que faz-me sentir a vida sem pensar, e recordar dos vividos sem o peso dos pensamentos. Talvez a leveza dos passos da "Criánça" que já fui retome o meu ar na duração dessas notas e ritmos. Não sei, jamais saberei... Sei que é uma música linda, que de tempos em tempos ouço e encharca-me os olhos, molha-me a barba, enche-me a alma. 
Ps.: "das coisas mais belas que tive o prazer de conhecer graças às escolhas que fiz na vida", é isso o que frequentemente digo para as pessoas quando lhes mostro essa música.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Dissertificação de Mestragem de Gabriel Coiso.


Sobre o livro "A dissertificação de mestragem de Gabriel Coiso":
Gabriel Moreira Monteiro Bocchi é formado em Ciências Sociais e, em 2016, concluiu seu mestrado em antropologia. Ele vive em um diálogo constante com Gabriel Coiso, escritor, músico, fotógrafo, enfim, brincalhão de criatividades. Ambos dividem o mesmo corpo, o mesmo tempo, os mesmos espaços e vivências. Enquanto Gabriel Moreira Monteiro Bocchi focava-se nos procedimentos acadêmicos necessários para a escrita de uma "dissertação de mestrado", Gabriel Coiso puxava-os para escritas mais distraídas, refletindo em breves crônicas sobre esse próprio período de concentração acadêmica, sobre a vida na cidade de São Paulo, os afazeres artísticos, os afazeres acadêmicos. "A dissertificação de mestragem de Gabriel Coiso" é produto do encontro diário do antropólogo com o artista, do pesquisador concentrado com o brincalhão desvairado. O resultado é um livro com certa estrutura acadêmica e conteúdo literário, que valoriza, assim, o que há em comum entre os gêneros e os "sujeitos".


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Excesso.


Olhei para a bicicleta parada e comecei a cantarolar uma música que surgiu espontânea e cujo processo de elaboração da própria me acompanhou por todo o caminho. O lixo em frente a casa que outrora abrigava um brechó/bazar/antiquário-não-profissional parecia muito apetitoso mas não pude fuçá-lo. Estão contratando balconista e auxiliar de oficina na bicicletaria em que costumo fazer alguns reparos. Dois rapazes dançando de frente para os carros em cima das faixas de pedestres enquanto o semáforo está vermelho. No chão perto da ciclovia tinha um negócio que parecia mangueira e máscara de inalador. Um homem estava sentado no canteiro central da avenida e ao seu lado havia presa em duas árvores uma faixa com um nome próprio e a indicação de que "sou pedreiro, pintor e eletricista aceito qualquer trabalho". Um dos artistas urbanos que mais admiro a obra fez um mural muito bonito em uma área onde passam muitos pedestres mas nos instantes em que estive parado ali não vi nenhum pedestre reparando nesta obra. Uma senhora interrompeu parcialmente o trânsito estacionando seu carro em local proibido para perguntar a policiais parados em uma praça se eles poderiam ir "fazer alguma coisa" para tirar pessoas de uma ocupação pois elas estariam "enfeiando a rua". Ao chegar no bicicletário não foi necessário apresentar meu RG pois a moça já me reconhece e achou meus dados olhando a página com os dados dos ciclistas de alguns dias atrás quando deixei a bicicleta lá. Uma moça de cabelo azul olhava para mim com desconfiança enquanto eu batucava no vidro da porta do vagão para criar um ritmo e mentalmente cantar a canção que eu compunha desde que saí de casa. Sentei-me para escrever mas logo em seguida um senhor com muitas sacolas em mãos entrou no vagão e liberei o assento para ele que me agradeceu muito e ao descer me agradeceu novamente. Desci na mesma estação que a moça de cabelo azul que me olhou com estranhamento me preveni e me afastei dela. Subindo a escada da estação de metrô vi uma carta no chão de primeira não entendi o que estava escrito mas parecia ser "preso" uma das palavras. Ao lado do consultório médico em que fui tinha uma pixação macabra. A consulta com o médico durou cinco minutos e ao dá-la por encerrada mesmo que eu ainda tivesse perguntas ele deslizou o corpo na cadeira e começou a mexer em seu celular. Desci a mesma escada que subi para acessar a estação e o papel ainda estava lá a peguei e li e me espantei trata-se de uma carta pedindo ajuda para descobrir em qual unidade prisional está um homem que foi preso. O rapaz que vestia um uniforme duma loja-guichê da estação de metrô almoçava uma marmita com a mesma apoiada no topo de uma parede baixa. Quando foi que começou a ter tantos ambulantes nos vagões do metrô? Ou será que para esses lados da cidade tem sempre e eu que não venho tanto para cá? Tem um rapaz sentado em um dos bancos com uma tatuagem com o símbolo e o escrito "Grind Core". Ao chegar de volta à estação onde deixei a bicicleta investi um real em três pacotes com duas bolachinhas em cada um e optei pela saída oposta a do bicicletário para que eu comesse as bolachas antes de pedalar foi nesse instante que um rapaz que se apresentou como "i'm from senegal" me pediu para lhe comprar um bilhete de metrô mas eu havia gasto o último um real da minha pochete com as bolachinhas. Quantos holofotes para iluminar uma igreja. A moça do bicicletário se despediu de mim dizendo "tchau Gabriel, até a próxima". Ao sair do bicicletário enquanto esperava o semáforo abrir um rapaz de voz fanha se aproximou de mim e falou por quatro ou cinco vezes até que eu entendesse que ele queria saber onde que ficava a delegacia mais próxima pois haviam lhe dito que por ali havia uma delegacia e ele precisava realizar um BO. Quase fui atropelado por um carro cujo motorista digitava coisas em seu celular enquanto entrava em uma movimentada avenida. Um motoqueiro tinha colado na caixa de sua moto adesivos da "1 da Sul", "Fiel Capão", "Gaviões da Fiel", "João Dória Prefeito" e "Aécio Neves Presidente". Num varal na parte frontal duma casa vi várias camisas antigas do Corinthians inclusive um modelo de 2002 ou 3 com nome do Luciano Ratinho. Distraído reparando em tudo que ocorria ao meu redor me esqueci de parar na farmácia para ao menos ver o preço do remédio que o médico me orientou a tomar pois o que é muito legal em São Paulo é que sempre está ocorrendo algo mas para quem está sempre olhando para tudo o que acontece isso passa a ser às vezes a pior coisa de São Paulo: os excessos, sempre tem alguma coisa ocorrendo pra ganhar a minha atenção.







terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fragmentos - XV.


Parece que nunca vai passar o inverno. Os jovens parece que estão cada vez mais jovens; digo, cada vez que vou à faculdade parece que os jovens estão mais jovens.


Hoje me encontrei com mais gente do que tem sido comum. Isso ocorreu pois fui à faculdade e pois na última semana estive recluso por razão de doênça.
Às vezes a gente tem que ter a humildade de assumir que talvez não seja o vento que é frio demais, a gente que é friorento. A gente, eu, você, nós. 


Hoje foram gastas três horas para ir e voltar. De certa forma é bom não estar recluso, de certa forma é um saco passar por isso para desrreclusar.
Preciso dormir mas a rua está sem luz e a criminalidade se ilumina. Desci para casa correndo com a mochila pesada - "minha dissertação pesa uma tonelada".


É bom falar para os jovens, apesar dos ventos frio do inverno que parece que não vai passar. É bom sair à rua e voltar e jantar e voltar a fazer as coisas.
Quem sabe com isso tudo a ansiedade esmoreça e eu possa dormir uma noite tranquilo e sereno e descansar e não acordar com dores na cabeça.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Obrigado!


Ver e escrever. O meu trabalho é ver e escrever. O meu lazer é ver e escrever. Pensamentos transitam entre si, o lazer e o trabalho. Confundem-se, discutem, dialogam e, em geral, suspendem qualquer divisão entre "trabalho" e "lazer": se fundem. Comecei a escrever um texto por dia como forma de registrar o pouco tempo livre para ver e escrever sobre demais tópicos, que não os meus estritamente profissionais. A coisa fluiu e inventei de lançá-los como livro. Notei que havia outras criações por compartilhar junto dos textos: fotos, músicas, traços. Esse curto parágrafo é para agradecer a todxs vocês que, assim como eu, viram alguma fluidez ou valor ou graça nisso tudo, e dedicaram um tempo e algum dinheiro de seus dias para que eu pudesse colocar essa ideia no papel. 
Muito obrigado & um brinde:
Jéssica Lima, Deusa Oliveira Alves, Elisa Moreira Leite Carneiro, Elen Cristina Bressiano, Marielli Bimbatti Mazzochi, Nadav Peretz, Régis Zangirolami, Camila de Freitas Nogueira, Raphael de Araújo Silva, Gustavo Berbel, Marcelo Gishitomi Barbieri, Eder dos Santos, Gilberto Rossi Jr., Rita Luciana Berti Bredariolli, Guilherme Garboso, Renata Silva Souza, Thiago Bispo, Ítalo Sanchez de Carvalho, Gabriel Leal, Eduardo Mussi, Danton Favaretto, Giancarlo Marques Carraro Machado, Tiago Damaceno, Eduardo Caetano Borges de Assis, Hiro Ishikawa, Luana Padovan, Thania Albernaz, Eliana Rímoli Alves, Cau Silva, Luana Andrea Favoretto, Luisa Brandt Figueiredo, André Vilé, Elizabete Cabrera, Lina Moreira Monteiro Bocchi, Sérgio Luiz Bazzanella Filho, Athos de Melo Araújo, Zeca Ruas, Lucineia Ferreira da Silva, Fabiano Benetton, Paulo Cezar Cury Seara.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Então, eu cruzo a cidade...


De ontem para hoje deu uma esfriada brava, percebi logo que acordei. Fiz o que tinha para fazer em casa e a rua me chamou. "Vento frio", pensei ao senti-lo bater firme em meu rosto no instante em que coloquei a bicicleta na calçada - impossível não me recordar de todos aqueles Julhos em que o vento frio nunca foi adversidade para nada que queria fazer pelas ruas, fosse pedalar, fosse amar, fosse perder. 
Gosto de pedalar e decidir o caminho enquanto pedalo; "cruzo o centro ou vou pela Avenida Pacaembu? Chego na Paulista pela Vergueiro ou pela Angélica?". Quando notei, respondi acidentalmente à pergunta ao optar seguir por debaixo do Minhocão, não notei que virei à esquerda na Avenida General Olímpio da Silveira - vulgo "Avenida Embaixo do Minhocão" - e que havia resolvido a questão sobre o caminho enquanto o percorria.
Segui boa parte da ciclovia que há debaixo do grande elevado. Passei pela Santa Cecília, mas não vi a Catedral, estava do outro lado, cruzei o Largo do Arouche, e depois a Praça da República. Como é bom pedalar despreocupado e assistir o vai-e-vem apressado às seis da tarde, o escurecer do céu, a barulheira dos transeuntes apressados: "hoje tem jogo", "vai perder".
Biblioteca Mário de Andrade, 7 de Abril consternada por uma obra, Teatro Municipal. Conforme ia passando pelos locais me recordava de pessoas, de momentos, de situações diversas vividas entre os 14 e os 27 - quando eu era jovem, inclusive, adorava essa região, mas isso só durou entre os 15 e os 18.
Vi o Vale do Anhangabaú de cima, passando pelo Viaduto do Chá, Libero Badaró, Largo São Francisco. Segui pela ciclovia que corta todo o centro, vem lá desde antes do Largo São Bento e vai morrer na Praça da Sé, depois de cruzar toda Rua Benjamin Constant. Foi quando cheguei na praça do Marco Zero que vi barracas em que pessoas vendiam alimentos, policiais militares montados em cavalos, oficiais da Guarda Civil Metropolitana parados, dois repentistas fazendo agradável barulho sob a forma de rimas, pessoas deitadas recolhidas em seus cobertores ao pé de coqueiros.
Continuei pela ciclovia atrás da igreja, Praça Doutor João Mendes, Avenida da Liberdade, então o Largo da Liberdade, "a 23 de Maio Parada" quer dizer "iluminada de branco dum lado e de vermelho do outro". 
São Joaquim e a subida da Rua Vergueiro, é pesada, mas é gostosa, as pernas nem reclamam, aprendi a pedalar assim. A noite já caiu, a subida é escura, vazia, assustadora em alguns pontos - essa constante sensação de perigo não é nada gostosa (o vazio por aqui não é gostoso) mas me faz pedalar de maneira ágil e firme.
Então parei na estação Vergueiro, onde há o Centro Cultural São Paulo. Ainda me recordava das tantas luzes nas torres de escritórios visíveis ao cruzar o Viaduto do Chá - em 2014 fiz uma entrevista para emprego numa delas. Me pareceu justo que parasse no Centro Cultural, acorrentasse a bicicleta e tomasse um café. 
De certa forma, ah Centro Cultural, um dos meus oásis em São Paulo nos últimos dez anos. Aqui tracei planos para ir embora de São Paulo em 2007, aqui visitei sonhos entre 2008 e 12, aqui rabisquei o plano de retornar a São Paulo em 2013, aqui vim para respirar entre 2014 e 15, e, por fim, aqui vim em 2/8/2016, para começar a me despedir desta cidade após cruzá-la de bicicleta em um fim de tarde fria. 
Começou o meu adeus, bosta de cidade.


domingo, 26 de junho de 2016

Pacote textuoso.


Texto desencontrado.
Teve um dia em que eu simplesmente larguei mão de alcançar "o melhor". Hoje eu deixei a televisão ligada na disputa do terceiro lugar da Copa América e achei incrível como o estadio estava vazio e isso soou incrível por que a seleção do país-sede estava disputando o jogo, mas é compreensível, trata-se dos estados unidos da américa e eles tem essa obsessão por ser sempre "o melhor" e aí os caras estão lá disputando terceiro lugar que merda tem que ser primeiro tem que ser o melhor se não é looser terceiro lugar é looser; eles ficaram em quarto e consigo imaginar os cinematográficos texanos falando ardido what a fucking them looser forth place. Simplesmente larguei mão de alcançar "o melhor", e fui seguindo a linha até chegar a pipa, apenasmente isso mesmo: larguei mão e com um desgaste colossal fui puxando a linha da pipa até que ela chegasse às minhas mãos - eu vou fazer, eu estou fazendo, eu fiz, eu tentei dar o meu melhor, mas larguei mão de alcançar "o melhor". Acho que isso não aconteceu em um dia, talvez em "um dia" eu tenha escrito isso em algum papel que se perdeu ou tenha tido esse estalo mentalmente, mas foi um fruto processual como todo bom fruto. Estou num período em que eu simplesmente não sinto mais saudades, não me considero mais aquele ser amorfo mofando por respirar só saudades, parece que elas já tem uma residência fixa e eu consegui lidar com isso sem ser como uma exceção escabrosa; também não me considero mais aquele sujeito repleto de expectativas positivas e perspectivas bacanas (isso sempre dura pouco tempo, bem menos do que o desejável). Larguei mão de fazer "o melhor" em nome do desejo de fazer, chegou um ponto em que eu realmente pensei que fazer já seria "o melhor", o que não quer dizer que não dei o meu melhor, quer dizer que eu alcancei uma conceituação de melhor, e isso é sempre frustrante quando: lidamos com múltiplas conceituações de algo assim; somos ansiosos e inseguros; temos a cabeça tal qual nuvem flutuante se dispersando por entre paisagens distintas e diversas; temos de lidar com um golpe. Estava lendo um texto muito bom quando dei um alt+tab para descansar o cérebro um pouco vendo besteira na internet e então tropecei em bosta pesada, coisa fétida mesmo: a onda separatista quebrou na costa, a areia é lisinha e clara, a praia é de tombo; alguns berbigões se esconderam na areia e deixaram como rastro pequenos furos, outras ondas, do mesmo separatismo vieram em seguida, conseguiram caçar berbigões cansados e arrastá-los para dentro do mar, outros seguiram em um fluxo de se esconderem até serem desescondidos. Seria interessante, mas acho que isso fica para depois, fazer um texto sobre a noite em que faltou luz aqui no bairro. Não foi de um dia para o outro também, mas foi um pouco antes de largar mão de alcançar "o melhor", eu tive consciência de que talvez fosse a pessoa errada na hora e lugar certos, uma definição assaz pesada e até xarope, mas que não tenho lá muita vergonha em usar, por que me soa legítima: eu olho em volta, olho para trás, rolo as páginas de textos diversos, vejo as fotos, a bagunça no quarto, a infinidade de sujeitos com passagens fluídas e curtas em um período relativamente curto - quanto mais a gente vive, mais um período tem que durar para soar "longo" - e me certifico da quantidade de questões confusas e mal amarradas, definições de índole questionáveis pois duvidosas; ouvi também um compilado de canções minhas do período que organizei num fim de noite de insônia e reforço essas noções, vejo nas músicas que ouço coisas que cheiram muito mal por terem soado tão bem para todos esses sentidos. É sincero dizer que larguei mão de alcançar "o melhor" e também é sincero equacionar o errado-certo-certo. A grande verdade é que olho para todos os produtos finais (inclusive no espelho, onde vejo a carne processual de todos os frutos) e penso que levo um vazio - sendo que esse próprio vazio, o do link, é fruto do período, embora seja da etapa em que eu ainda não havia largado mão de nada, mas parece que eu partilho certa crença nesse vazio todo que preenchi com palavras perdidas.
Até que ficou um texto encontrado, parece um pacote.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Eu nunca vou sarar dessas saudades - II.


[Ou "A escada"].
[Articula diretamente com "eu nunca vou sarar dessas saudades"].
Outro dia eu estava pensando que eu deveria saber definir melhor as diferenças entre espaço e lugar, e eu na real não sei. E tem uma coisa que eu já penso faz um tempo sobre isso, vou explicar. Outro dia minha mãe se referiu à escola onde ela trabalhou por muitos anos e eu estudei por outros tantos. Aquela escola não existe mais, e já faz um tempo, a edificação foi demolida, se tornou terreno e atualmente é um prédio de alto padrão, coisa para ricaço mesmo. Mas no referencial da minha mãe, a região ainda é "perto da escola". Uma questão de espaço-tempo interessante para pensar. 
E aí tem outra coisa que volta e meia eu penso nesse rumo: a escada do antigo Cão Pererê, em Marília. A que levava do bar para o andar onde tinham os shows, onde realizei os meus primeiros trampos de portaria para a casa, durante as noites de jazz em meio de semana às quartas-feiras em 2011. Talvez aquela escada nem exista mais, penso. Acho que a última notícia que tive daquele espaço é de que foi transformado, enquanto lugar, em um depósito ou algo do gênero do mercado que tem no mesmo quarteirão. Sei lá se mantiveram a escada.
Com certeza, aconteceu muita coisa naquele espaço, tomado como lugar, referencial de acontecimento, ponto preciso de situações. É um pecado terem demolido aquela escada, se o fizeram mesmo. Aliás, e isso eu estava pensando outro dia pedalando por São Paulo, toda demolição é um pecado. Imagine que demoliram um prédio inteiro, perfeito, intacto, só para dar continuidade a uma obra do metrô perto da ponte da Freguesia do Ó. Todo mundo sabe que as obras do metrô são uma mentira, são planejamentos que não se concretizam, são acidentes, são histórias para boi dormir ou histórias para paulistano tal qual boi dormir em seus deslocamentos cotidianos. Mas aí demoliram um prédio perfeito.
Tratar o espaço de maneira tão burra, em nome de criar supostos lugares. Mas tenho mesmo saudade daquelas escadas.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Acabar.


Uma dificuldade sempre foi acabar. Dar por encerrado. Pode parecer besta, mas acabo me apegando de maneira muito intensa às coisas que devem ser feitas e por mais sôfregas que elas sejam eu não consigo simplesmente acabar levantar lavar as mãos amarrar os cadarços e sair por aí. Coloque nessa tigela desde fazer um almoço e comê-lo até terminar um relacionamento relativamente longo ou consideravelmente curto - o lance da dificuldade está também justamente em perceber que há uma temporalidade girando no cronômetro mas ignorá-la e tratar segundos com a mesma intensidade com que trato os anos - e não vejo nisso um defeito ou algo a ser corrigido. No ano seguinte ao que terminei o ensino médio eu frequentava a escola semanalmente, e um inspetor dizia que eu ainda não havia conseguido cortar o cordão umbilical; era uma boa metáfora, e isso já faz quase dez anos. É um troço burro, sobretudo no que diz respeito às coisas que geram desconfortos, e aí, da dificuldade em encerrar o desconforto, mais desconfortos nascem e crá crá crá crá vocês já sabem. 
Verso zero.
Bom, ainda faltam questões pontuais por organizar, também há costuras e amarras mais sólidas por realizar, justamente, a fim de tornar o texto sólido. No entanto, não é cedo para dizer: "eu escrevi uma dissertação de mestrado".
Parabéns, cara.
Que é isso, para você também, parabéns.
Não, eu não mereço os parabéns.
Claro que merece, estamos juntos.
Rapaz, passei o tempo todo te desvirtuando da coisa. Você merece todos os parabéns, e em dobro: você venceu as suas dificuldades e me venceu.
Mas é justamente por isso que você também merece os parabéns: vencemos as nossas dificuldades e nos vencemos, um ao outro, nessa guerra tão atroz pelo nosso corpo e pelo nosso tempo.
Será sempre esse conflito?
Não sei. Mas vamos em frente, sigamos fazendo.
Isso mesmo. Fazendo de tudo.
Faremos. De tudo.


terça-feira, 31 de maio de 2016

Pilhando.


Já mantive esse tipo de reflexão aqui recentemente, mas vamos lá novamente.
Depois que eu passei a me ver como dois em um corpo só sem sentir isso como um fardo, um erro e/ou uma doênça, e consegui fazer com que Coiso contribua para as atividades de Gabriel (e vice versa) alguns hábitos passaram a fazer certo sentido como ações interligadas mais do que separadas, ainda que mantenham sentidos diametralmente distintos e até opostos, a variar, sobretudo, as finalidades com que realizo tais tarefas. 
Objetividade, brother. 
Certo
Eu gostava bastante de ficar pilhado quando ia tocar. Digo, não "pilhado", isso eu demorei para gostar mesmo, mas era bem comum tomar uns negocinhos antes de subir no palco para tocar para cerca de doze pessoas no público, ou um pouco mais, mas raramente "muito mais", essas coisas do underground. Tomava umas cervejas, bebia uma cachacinha, um conhaque, e subia para tocar mais sorridente, tranquilo, soltinho como arroz de restaurante phyno. Tudo compõe o mesmo exercício, na verdade, acho que é por isso que a coisa se chama "lazer". Mas aí teve uma época em que era legal me pilhar mais. Uma coisa chama a outra, e uma não é pior que a outra. Ficava em algum cantinho recluso, em geral com mais gente, às vezes sozinho. "Legal". Pilhar. Consumir coisas para me pilhar. Acordar, despertar, relaxar e acender; um fluxo contínuo que gera alterações incríveis no corpo e que me deixavam bem à vontade para fazer o que queria fazer: tocar para doze pessoas. E depois, bom, o que vinha depois também era muito bom, mas vamos fixar a prosa nesses dois pontos: eu me pilhava e tocava pilhado, talvez o mais correto fosse dizer: "eu gostava de me pilhar para tocar pilhado". 
(Seria honesto também fazer menção aos dias em que eu me pilhava mas não ia tocar, me pilhava por que é daora memo. Mas não o farei, apenas menciono tal dado para conhecimento de quem está lendo).

Verso 2.

"Vamos trabalhar", todos os dias acordo com essa missão, sobretudo nesse período dos versos. Entre a cama onde eu acordo e a mesa onde eu trabalho tem 47 centímetros de distância (medi agora) e eu já acordo com a pressão do computador olhando para mim e dizendo: "vamos trabalhar?". Mas eu acabei de acordar, tem a urina por expurgar, sujeira nos dentes por tirar, o desjejum por realizar, um cocô por fazer e o café. Ah o café. Eu passo um café, e tomo algumas xícaras de café. Depois eu tomo outras, variando entre algumas com leite e outras sem. Mas aí a primeira garrafa de café acaba, e eu passo outra, no mesmo filtro do anterior - de papel, não limpo ou jogo fora, só adiciono mais café, o chamo de "Café Reciclatto" - e ai se vão para dentro do corpo mais xícaras. Às vezes as tomo já com o computador ligado, sentado de frente para a mesa e de costas para a cama. Às vezes escrevendo algo preliminar, às vezes desenhando algo que nada tem a ver com o trabalho, às vezes lendo algo temático e objetivo, às vezes vendo fotos do meu cachorro ou do último final de semana. Mas estou  cá, tomando café, acordando os olhos, despertando a mente, acionando o corpo, em suma: estou aqui me pilhando para trabalhar em um texto que talvez será lido por cerca de doze pessoas, talvez um pouco mais, mas duvido que muito mais, coisas da academia.

Está vendo só?
O que?
Quando a gente pensa as coisas com objetividade e sem floreios sem enrolações sem rodeios sem voltinhas desnecessárias a gente consegue fazê-las bem e ser claro e juntar os pontos que quer juntar bem.
Sim.
Por exemplo, agora, você mostrou que usar dororogas no rolê musical é proximamente "a mesma coisa" do que ficar todos os dias da semana se entupindo de café para conseguir trabalhar bem. 
Isso! Era essa a ideia!
Parabéns meu amigo, você alcançou bem essa proposta e a transformou em coisa concreta e prática. 
Seria objetividade dizer que "pó branco ou pó preto tanto faz" e fazer o texto apenas com essa simples frase?
Não, acho que não. 
E se eu dissesse "tanto faz dar um raio ou requentar uma média"?
Ai já seria chutar o balde demais, vá com calma. 
Mas o texto mesmo você acha que está legal?
Achei, não sei, parece bem coeso sim, não posso dedicar muito tempo a ele agora pois preciso trabalhar, estou bem pilhado para trabalhar já.
Mas e se eu disser "quem acorda e precisa tomar café pisa no mesmo pântano lamacento do que quem acorda e precisa duma pedra?".
Não, não, o texto mesmo está bom, o mantenha assim.
Certo, bom trabalho.
Obrigado, bom descanso.
Até mais tarde.
Até.