domingo, 6 de dezembro de 2015

As cenas que Serra não viu.


Muita gente deve ter visto a publicação do Senador José Serra no Facebook no domingo da semana passada (29/11), criticando o Prefeito Fernando Haddad e a ação de abrir a Avenida Paulista para o trânsito de pedestres, ciclistas e realização de atividades diversas. Para quem não viu, segue o replay aqui embaixo (clique na imagem para vê-la grande):

Quem estava em São Paulo naquele domingo se recorda da chuva pesada e constante que caiu sobre a cidade durante quase todo o dia, e também deve ter ouvido falar que ocorria prova da Fuvest, vestibular que mobiliza grande parte da juventude da cidade - sobretudo da juventude rica.
Bom, hoje (06/12), assim como em 29/11, passei de bicicleta pela Avenida Paulista. Hoje estava sol, uma tarde quente na cidade, clima oposto ao da semana passada. E, assim como nos recentes domingos, a Paulista foi aberta para a vida social e fechada para os carros. Havia muita coisa acontecendo: shows musicais, aulas de dança, pessoas fazendo pic nic, crianças correndo, gente fazendo bolhas de sabão enormes etc. Fotografei alguns desses acontecimentos.
Como infelizmente não vi o Senador por ali publico aqui as fotos para que ele as veja. Atenção Zé, as cenas a seguir podem ferir o seu bom senso, aquele de rapaz apalavrado com os munícipes mas que abandonou o mandato da prefeitura em 2006.
Abaixo os "infelizes paulistanos" do Serra:












quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lavar as mãos para almoçar.


Olhei para as mãos sujas e pensei se seria melhor lavá-las no banheiro mais distante do restaurante ou no que há próximo a sua entrada. Me recordei de outro restaurante, em que não havia tanto esta opção: a pia ficava ao lado da entrada, e se passava por ela antes de acessar os alimentos. Em razão do espaço ser relativamente pequeno, e os rostos deveras conhecidos entre si, havia certa expiação: "Gabriel, não vi você lavando as mãos", "é que eu já tinha lavado no banheiro antes", "sei...". Era curioso. Teve uma época que até se sentar e comer era necessário participar de três filas: para pagar, para lavar as mãos e para pegar a comida, às vezes havia uma quarta, para esperar vagar um lugar nas mesas brancas com ferros pretos. Neste modo de organização, muita comida ia pro lixo, e houve uma reorganização no modo de acesso a ela, que representou mais filas: uma para comprar um bilhete (frequentemente mais disputado do que tickets para show de reunião de banda caquética de roque), mais tarde, uma para entrar no restaurante, outra para lavar as mãos, para pegar comida e, às vezes, a de esperar um lugar vago. Certa vez me questionei: "com quantas pessoas distintas já me sentei nesses bancos? Será que em um futuro mais distante me lembrarei delas?". Me perco nestes redemoinhos de lembranças, e quase me esqueço que preciso lavar as mãos para almoçar.