segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Revisitando, reconceituando e repensando.


Lembro que naquele fim de tarde não fazia sol, o céu definia um tempo bem nublado, mas fazia calor. Talvez era o mormaço de um dia inteiro de vapor subindo da rua aos céus e sendo bloqueado pelas nuvens, causando uma massa escrotamente quente. Naquela época, inclusive, eu era professor de geografia, e naquele dia havia dado as quatro primeiras aulas da manhã, minhas sextas feiras eram assim. Voltei para casa, almocei, dormi, acordei inquieto, e após horas brigando comigo mesmo, me obrigando a ser útil, entendi que nada sairia de mim trancafiado em casa, e que o melhor era sair para fazer qualquer coisa para além do portão. Olá sociedade de consumo. Fui para o supermercado mais próximo, eu precisaria fazer um estoque de bebidas e alguns alimentos pro final de semana mesmo. A minha lembrança, rolando sofregamente o pdf para baixo aqui & agora, na verdade, começou depois que saí do mercado. Uma sacola com algumas latas de cerveja barata quente, algum tipo de comida fast, um saquinho de amendoim com tempero/veneno vermelho e uma garrafa de uma cerveja um pouco diferente do usual gelada. Me sentei em um banco de cimento a frente do estacionamento a frente do mercado. Tomei a cerveja comendo os amendoins e escrevendo algo no caderninho que me acompanhava na época (de capa vermelha). Havia saído sem o celular, não queria ser encontrado, não queria saber das horas. Quando a cerveja e os amendoins acabaram, e a claridade que passava pelas nuvens cinzas já era baixa, decidi que era hora de voltar para casa. Passos curtos, as sacolas batendo nos calcanhares. Cruzei o pontilhão no instante em que a chuva começou a gotejar, e me escondi da pancada forte de água debaixo do toldo de uma fábrica de produtos químicos para limpeza. Esperei a chuva passar, não tinha pressa, e lembro que fui caminhando por uma rua de lama, pelo puro prazer de sujar os tênis. Quanto tempo dura a alegria por um título? Me perguntaram certa vez. Ao chegar em casa e ligar o computador, no dia desta lembrança, a ansiedade se tornou explosão das mais positivas, das mais campeãs. No entanto, não demorou para que começasse a se dissolver, como o amaciante para roupas que rende mais - apenas um copinho em cinco litros de água - e ao pressionar o ponto no final desta frase voltarei a rolar sofregamente o pdf para baixo e a me questionar: "onde eu estava com a cabeça em achar que seria uma boa ideia?". 


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