segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Dois anos sem dormir.


"Vinte meses em claro, quase dois anos sem dormir, prece rezada em longos atos, 
'Senhor, arraste-os para onde eles não possam mais mentir'".

Conto nos dedos os compromissos para fechar mais um ano. O vigésimo sexto na vida, o segundo no retorno à São Paulo, o segundo como mestrando, o quarto como cientista social, o vigésimo como Corinthiano etc.
Começo essa prosa lamuriosa com verso de um "grande nó", do Ludovic (não consegui ir em nenhum dos shows de reunião realizados este ano), não por acaso.
Gostaria de esvaziar o conteúdo metafórico do assunto, e retomar os dados numérico-anuais expostos acima, ressaltando o término do segundo ano como tal e tal. Quase dois anos sem dormir.
Me diziam, ainda neste ano - que parece que durou uns três - que é curioso ter de transitar entre tantos espaços distintos como eu faço. É mesmo. E eu sempre dizia: "é curioso, e é um saco". E que saco, por que em nenhum deles eu consigo dormir direito.
Faz vinte meses, na verdade vinte e um, se eu for ser rígido com os números, que essa palhaçada de não conseguir dormir direito começou. Eu sempre tive, aqui e ali, uns probleminhas pra empacotar no sono. Teve uma época que um remedinho ajudava, teve outra época que era outro remedinho, cheguei até a acampar em casa, e tem essa época, em que é o barulho incessante dos carros na rua, as rangeções do portão, os gritos estranhos que ecoam pelo bairro, o barulho do motor do portão do prédio da quadra de baixo, a ventania na árvore do jardim ao lado, os passos pesados do rapaz do andar de cima, o cachorro do vizinho brigando com a sua tigela de água e por ai vai. Tudo isso me faz estralar os olhos e acordar, ou sequer dormir.
Os ouvidos nunca se fecham por completo, os olhos parece que não pregam mais, e a cabeça não alcança mais o estado de relaxamento total (ou semi total) de outrora. Que merda eu tinha na cabeça quando achei que seria uma boa ideia? Não há descanso, isso não existe por aqui: estou há dois anos sem dormir.


Nenhum comentário: