quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Rua suja, rua viva.


Segunda feira, doze de outubro de dois mil e quinze. Foi quase as seis da tarde que aproveitei o fechamento de um semáforo na Avenida Francisco Matarazzo para encostar a bicicleta perto de um poste e tomar uma água. Durante a pausa notei que o ponto de ônibus em frente ao Parque da Água Branca estava lotado. Adultos, crianças e balões flutuantes com formas de personagens de desenhos animados ocupavam aquele espaço. Vozes e risadas eram ouvidas do outro lado da avenida, onde eu estava. O Parque estava fechando, e não parava de sair gente de dentro dele. Olhei o chão, tanto do ponto quanto da rua, e o vi repleto de latinhas de alumínio, garrafas plásticas, saquinhos vazios de pipoca, picolé, salgadinho etc. Como parte da estrutura do ponto de ônibus, feito com algum tipo de aço, duas lixeiras, que transbordavam estes mesmos vestígios de produtos consumidos em um feriado de lazer no Parque. "Não adianta dizer que a população não joga o lixo no lixo se o lixo já está cheio de lixo", pensei. Tornei a pedalar, e mais a frente, onde há duas ou três baladas, mais lixeiras cheias e mais resquícios de garrafas e embalagens diversas na calçada e na rua. 
Por um lado é ruim ver a rua suja, por outro lado é muito bom, é sinal de que pessoas passaram ali, pessoas viveram ali, pessoas consumiram picolés entre risos, pessoas beberam com os amigos, pessoas fizeram com que a rua se tornasse coisa viva, tirando-a da condição de mero trecho de passagem para carros segundo o google maps ou o waize. 
Já a rua muito limpa não me soa sinônimo de rua bem tratada, penso eu, mas sim de rua não vivida, não frequentada. 


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