segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Autoconhecimento - I


"Onde você vai almoçar?"
Naquele lugar que eu frequento,
Em troca de dinheiro,
E um futuro documento.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Autoconhecimento.


Eu queria trabalhar na C&A,
No antedimento ao cliente,
Só para poder passar,
O dia inteiro falando com gente.




domingo, 6 de setembro de 2015

Fragmento - XIV.


Tem uma rapaziada ai que se remete às coisas da vida em sociedade se valendo de frases extremamente rebuscadas e bem elaboradas e exageradamente elaboradas; na verdade, parece que ficam tanto tempo elaborando as frases e enxertos que estes se tornam incompreensíveis; e ai parece que, na verdade, com tanto tempo gasto na escrita do incompreensível acabam por se afastar de todo e qualquer social a que se dedicam a falar. Uma pena jovens, além de gastarem papel e energia, creio que no meio daquele emaranhado de linhas deve realmente ter algum suquinho gostoso. Utilizam muito a expressão "fragmento" ou "fragmentação" e outras afins; "fermento" e "fermentação" eu acho que não; ou ainda não cheguei nesse capítulo; ou ainda não entendi. Quando a gente é criança falam pra gente sobre ser feliz, sobre alegria e coisas afins. Ser feliz, aliás, é a meta inalcançável nessa nossa sociedade: você vai viver fragmentos (pequenos ou um pouco mais extensos) de breves alegrias, e se dê por satisfeito. Trabalhe, produza para outrem, e usufrua de algum tempo livre. Não saia muito da borda, e se você queimar o bico da boca no mingau procure a farmácia mais próxima; sempre nos indicam uma farmácia: "esteja bem, amanhã...", afinal, amanhã você bate o cartão. "Bem que os pequenos enxertos de alegria poderiam ser mais duradouros, longínquos, extensos na configuração do espaço tempo cotidiano". Se propor a tocar a vida assim é uma grande subversão; talvez seja a utopia do século vinte e um - onde não se bate mais o cartão, mas sim se verifica a digital. Mas vamos falar de felicidade. Mas eu não quero falar disso assim. Não vou me perder nos floreios como aqueles rapazes, vou fazer aqui um fragmento sobre felicidade. Farei. Tronco de árvore. Tampa de lixeira. Graveto graúdo. Estrada de pedrinha. Cantos de olhos. Banco de ônibus. Cadeira de praia fora da praia. Luzes enfileiradas. Problemas hidráulicos. Não se enganem queridos, a felicidade não está na quantidade de linhas que tem o texto ou nos fragmentos de alegrias e felicidades, está na densidade. Você esfola a ponta dos dedos de tanto passá-los nos sensores que verificam sua presença e registram sua exploração cotidiana, mas você mantém o ritmo do batuque por treze minutos ininterruptos; os olhos sorriem, os dentes sorriem, aquela pequena bolota de cocô que não saiu e se alojou em uma curvinha do intestino delgado, ela também sorri. São treze minutos, densos e intensos, compensam, talvez, todo esfolamento nas pontas dos dedos. Não tem jeito, estamos fadados, como alcançar a utopia contemporânea? "Esse ano não vai dar, talvez ano que vem.............................................". Mas quanto sabor tem nesses momentos, isso é inegável. Concluímos, então, que a felicidade é um processo, e cabe a cada qual destas coletividades se reconhecer nos tesouros encontrados como frutos intrínsecos das próprias etapas encenadas nestes processos - eles sempre acabam os textos assim, já percebeu?


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

meio.


Doze horas
Meio dia
Quarta feira
Meia semana
Meio saco
Meio cheio
Meio dia
Quarta feira
Meia semana
Fecho olhos
Abro-me meio
Inteiro