terça-feira, 25 de agosto de 2015

Uma salada com Odradek.


Meu pai gosta de ralar cenoura e beterraba para comermos na salada. As rala cruas e as guarda em potes separados na geladeira. Eu gosto da salada bem temperada, exageradamente mesmo, com vinagre, azeite e sal (meu coração um dia explode de tanto sal que eu coloco). Dai decidi almoçar ouvindo em sequência os três EP's do Odradek. Preparei um suntuoso prato de salada, com dois grandes punhados dos citados legumes ralados e dei play. Que ideia feliz. Conforme mexia o garfo sobre os alimentos no prato (para que o tempero se espalhasse) e tentava o fazer no ritmo rompido das músicas, notei como é impossível perseguir a matemática de números quebrados e dividendos indubitavelmente bem registrados que compõem estas músicas. Parecia que na verdade eram as beterrabas que iam me engolir, e não o contrário. Jack passou e levou o meu garfo, "porra, e agora como que eu como aqui?". Peguei outro garfo no chão e as folhas de alface fugiram pela porta que se abriu - que porta que se abriu? não sei, mas eu ouvi o rangido dela abrindo, vocês ouviram? "Ananias volta aqui rapaz, não morre não, devolve o prato seu malaco". Nossa, credo, come logo isso tudo e se foca no som se não vai dar congestão alimentar auricular-estomacal por que a salada e o arroz e o feijão junto com os Odradek's é muita proteína, muito ferro, muito carboidrato e essas coisas você tem que ser moderado pra comer, não pode se empanturrar, nenhum corpo consegue digerir essas coisas todas duma vez só.
Ouça Odradek aqui.


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