segunda-feira, 6 de julho de 2015

Picardias alcoólatras - Dois.


Lembro que naquela noite você se aproximou de mim, estávamos juntos ao balcão do bar. Fazia já certo tempo que compartilhávamos picardias práticas. Eu olhei aquele extenso menu repleto de opções etílicas - mais extenso ainda por se tratar de uma terça feira - e devo ter feito cara feia. Não sabia o que vinha na maioria das bebidas, e de muitas delas eu mal saberia pronunciar o nome; minha cara ficou mais feia quando vi que a cerveja mais barata custava oito reais. A lata. Da ruim. Você me perguntou se eu sabia onde estava a minha comanda, que era na verdade um cartão magnético, e eu respondi que sim. Você pediu para vê-la, eu a segurei em mãos. Você a pegou e guardou no bolso frontal de sua calça: "hoje eu que vou pagar tudo que a gente for beber", "mas...", "não tem mas, você já bebeu isso aqui?", "não", e pediu duas doses daquela bebida que eu jamais saberei pronunciar o nome.

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