sexta-feira, 17 de julho de 2015

O último ato de esperança.


Você me custou cento e vinte e oito reais, pagos à vista, sem chorar. Demorei pra assumir essa necessidade, mas assumi e, literalmente, a banquei. Eu espero te usar por um pouco mais do que quatrocentos dias. Em você farei planos, grifarei textos, elaborarei linhas e linhas e linhas e linhas e também passarei raiva. Se chegar em quinhentos dias de uso é sinal de que algo deu bastante errado. Você é o meu último ato de esperança, de fazer a coisa a ser feita com gosto, de ter foco, de fazer com prazer o que sempre deu prazer e que, ultimamente, parece que deixou de ser algo massa (como dizem os jovens). Além de deixar de ser algo massa, tomou ares de penoso, de negativamente trabalhoso e quase irrealizável. Talvez tenha se tornado tudo isso de errado pela falta de ritmo ordenado, pela falta de um local fixo para fazê-lo. Essa é a aposta, essa é a esperança e isso é o que me levou a gastar cento e vinte e oito reais em você, uma mesa para eu escrever minha dissertação de mestrado.


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