sexta-feira, 24 de julho de 2015

O cara do banco.


"É necessário que você abra uma conta na agência tal do banco tal", "mas a conta que eu tenho não serve?", "não, tem de ser esse tipo de conta nessa agência e desse banco, se não não vai dar certo", "óh quei". No trajeto, que nem era tão longo assim, me recordei de quando abri a conta que já não servia mais. Na verdade, me lembrei de quando a conta que eu havia aberto em 2009 foi transferida de agência, e eu fui até esta para assinar um documento que indicava que eu estava ciente da transição de agência. O rapaz que me atendeu era franzino, magro, meio baixo, tinha poucos fios de cabelo na tampa do cucuruco e uma folhagem ralha nas laterais e parte traseira do crânio. Os olhos eram cansados, a pele das bochechas e do queixo enrugadas e castigadas pelas lâminas dos barbeadores. Me fazia perguntas de maneira mecânica e sem empolgação ou ânimo. Enquanto digitava dados de maneira intensa no teclado do computador, desviei o olhar de seu rosto para o seu peito, onde balançava, no ritmo das mãos digitantes, um crachá. "Funcionário desde 1989" (não me recordo do dia ou do mês, mas gravei o ano, por ser o mesmo do meu nascimento). Acima desta informação a foto três por quatro de um rapaz jovial, semi sorridente, com uma barba que margeava toda a boca (um legítimo cavanhaque), o cabelo loiro brilhante cobria toda a cabeça e uma franja tímida caía sobre a testa. Atrás do crachá estava pendurado um óculos, que ele posicionou a frente dos olhos quando foi ler as informações presentes em meus documentos. "Deus me livre perder a vida atrás de um balcão de banco", pensei. No dia seguinte à abertura da nova conta na nova agência do mesmo banco, resmungava a vida e meu pai sugeriu: "preste um concurso e garanta a vida". Me lembrei da lembrança do rapaz, me lembrei do "deus me livre" que falei em 2009 e ainda falo. Subi as escadas para o meu quarto, voltei a perder investir a vida na frente de um computador.


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