sexta-feira, 17 de julho de 2015

Fragmento - X.


Tem dias em que eu acordo e dormi mau ou pouco ou ambos, e ai me lembro daquela manhã em que a gente dormiu largado e pelado, lado a lado, em pleno friozão de agosto, e acordamos sem qualquer auxílio de nenhum tipo de despertador às 9h15. Meu ônibus partiria em vinte minutos, e antes do antes da gente dormir você havia dito que me levaria na rodoviária. Vestimos Entramos com tanta velocidade nas toneladas de roupas que a época exigia que vestíssemos e fomos meio que quase mais ou menos que voando até a rodoviária; quando lá chegamos o ônibus estava parado na plataforma, já com o motor ligado, e eu fui o último passageiro a embarcar; não lembro se os demais passageiros viram a gente se beijar, pois não lembro se a gente se beijou na frente do ônibus. Na verdade acho que até nas noites em que durmo bem e acordo legal oh yeah para o dia eu me lembro daquela manhã, se não ao despertar, nalgum instante ao longo do dia, e ai é nesse momento que eu desejo que ninguém tivesse acordado, que a porta da casa tivesse emperrado ou que um mau súbito tivesse tomado meu coração e o explodido ou mesmo que um caminhão se chocasse contra o lado que eu ocupava no carro (à caminho da rodoviária) e eu ficasse por ali mesmo - seria glorioso. Enfim, tem dias em que eu só desejo não ter embarcado em um ônibus naquela manhã.


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