quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fragmento - IX.


Deixei a marcha bem pesada, para pedalar pouco e andar bastante, era uma rua plana e eu não tinha pressa; a velocidade às vezes é desprezável. Então passei por uma caçamba dessas de entulho. Passei e retornei, pelo hábito lixeirístico artístico de ver se há materiais interessantes. E havia: uma tela para pintura e algumas caixas de CD's, ambas em ótimo estado. Cabiam na mochila. "As pessoas não sabem o que jogam fora", sempre penso isso quando me deparo com uma caçamba de entulho que mais parece um tesouro à céu aberto. "O que você costuma fazer com essas coisas? Você guarda e espera vir alguma ideia?", me perguntaram, e eu não soube o que responder, acabei dizendo o óbvio: "não tem uma regra, acaba sendo assim, às vezes não, tanto faz". Tem coisas que as pessoas jogam no lixo, tem coisas que eu pego do lixo; tem coisas que eu jogo no lixo, tem coisas que não são coisas e não são lixo mas são tão tesouros que, na experiência fragmentar da vida, se tornam esse suspiro.


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