quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vento & Domingo.


Há duas coisas relevantes aqui: o vento e o domingo, e vice versa, sem hierarquia de importância. Na verdade, mas isso não qualifica mais ou menos um ou outro (fica a critério de quem lê), foi o primeiro que gerou o estopim para tal aglomerado verbal, no entanto, foi percebê-lo no segundo que provocou a explosão, notadamente marcada sob a oração: "está certo, vou escrever isso".
Amanheci em um domingo que deveria ser pleno e saboroso em sua plenitude, sem assim o sentir. Pelo contrário, tinha percorrendo as papilas gustativas o sabor amargo das obrigações azedas por cumprir.
É incrível como os sentimentos mudam drasticamente quando a coisa toda parece estar em desequilíbrio.
Como tem sido de praxe nos domingos (retomando), fiz uma série de alongamentos musculares ("calistenia Chaves!"), vesti o capacete e subi na bicicleta. Porém, era um domingo de fortes ventos na capital paulista. 
Desde que tornei a morar nesta cidade tenho vivido outra inversão interessante, que se não é da ordem do moral, é ao menos identitária. 
Quando morava em Marília, meus amigos diziam que eu era urbano demais para a vida interiorana. Agora, morando em São Paulo, qualquer lampejo de natureza não urbana erguida pelo concreto e graças ao conhecimento científico industrial ou industrializante me atrai e conforta.
O vento foi esse elemento neste domingo.
Embora estivesse na direção oposta a que eu seguia, e soasse como uma barreira a ser transposta, exigindo maior força nas pernas pedalantes e uma maior ainda concentração para estabilizar e equilibrar o tronco, foi um elemento positivamente experimentado.
Embora canalizado e de força potencializada, em razão das altas torres nas bordas da avenida, que a transformam em um corredor de sopros rápidos, vi com bons olhos aquela força na direção contrária ao meu deslocamento: como tudo nessa bosta nessas vivências recentes interpretei como uma metáfora, desta vez da natureza me dizendo "mais força Gabriel, você pode ser mais forte".
Quando, na verdade, o problema não é a força do vento ou a falta de força nas minhas pernas. É só um excesso de adjetivos e figuras de linguagens em horas e momentos errados.


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