quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sambando entre extremos.


Quando começou o samba, e eu comecei a dar aquela aquecida, alguns tamborins rebatendo de leve e tudo o mais, eu ainda não estava muito integrado à rapaziada, e, envergonhado, não sabia direito como lidar com algumas coisas. Como o chuveiro, por exemplo. Eu não entendia como funcionava para mudar a temperatura dele, e acabei por tomar gélidos banhos algumas noites seguidas. Lembro que não tinha problemas em classificar: "esses são os piores banhos da minha vida".
Depois, já no meio da festa, quando o carnavalzão tá comendo solto brabo, não tem ninguém caindo de bêbado ainda e a animação faz jus ao termo "festa", decidi que realizaria uma mudança em meu cotidiano: tomava café solúvel, e migrei para o coado. Demorei em acertar a medida e, para piorar a situação, certa vez comprei um café de marca fantasma, paguei dois reais no quilo, e ele era realmente horrível. Após alguns amanheceres, novamente, não tive problemas em classificar: "esses são os piores cafés da minha vida".
Bom, dai chegou aquela fase em que o pessoal já está correndo apressado pra não estourar o tempo de avenida, e tem a rapaziada no fundo com as vassouronas limpando a pista pra iniciarem o próximo desfile. Foi mais ou menos nessa época que se tornou frequente assistir o sol nascer pelos vincos estriados dos vidros da pequena janela. Era todo um contexto, repleto de coisas únicas que me levavam a ver o sol nascer e a criar mais uma classificação: "esses são os melhores amanheceres da minha vida".
Extremos & Exageros. É nesta avenida que eu sambei em todos esses anos de fins de juventude. Como equilibrar a paçoca?


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