terça-feira, 9 de junho de 2015

Porra Vanderlei!


Descia a Rua Vanderlei. Na verdade teria que ver o sentido dos números das casas e prédios pra saber se eu descia mesmo, em sentido geográfico. No entanto, afirmo que a descia pois ela configura-se como uma ladeira, e eu seguia na direção do topo para a base dela, de modo que, se a organização numérica-geográfica da rua não era a de descer, o esforço físico empreendido por meu corpo era. 
Bom, descia a Rua Vanderlei quando me dei conta do nome dela, ao olhar sem notar para a placa posicionada na esquina. Tomava um refrigerante e arremessei a lata vazia em uma destas caçambas para recolher entulhos de obras, que acabam virando grandes lixeiras públicas aos transeuntes, como eu, e acabei batendo os olhos no nome, escrito em branco sobre azul em caixa alta: VANDERLEI.
Ao notar que a rua que eu descia era a Vanderlei me lembrei de uma intervenção feita por um jovem senhor, de mesmo nome da rua, em uma conversa que eu travava com um ex-colega há alguns anos. 
Embora tenha se passado mais ou menos meia década desta conversa, eu ainda me recordo dela, se não todos os dias, frequentemente a cito em outras conversas e a encontro em meus pensamentos durante conversas mentais com a rapaziada que habita a parte interna e macia do meu crânio.
Descia a Rua Vanderlei, já estava perto da base daquela ladeira, onde outrora deve ter existido um riacho ou córrego ou rio bem bacana, onde a rapaziada pescava e nadava e a rapaziada que nadava enroscava os pés nos anzóis da rapaziada que pescava. Hoje passa um pessoal xarope de bicicleta, ou correndo a favor do tempo ou passeando com os cachorros lustrados.
Me vi sozinho ali, ainda pensando na conversa e na fala do Vanderlei, e me vendo sozinho por ali, tinha mais ou menos uns 20 metros entre eu e um homem com um cachorro babando, não me privei de bradar com força "Porra Vanderlei!".
PORRA VANDERLEI!


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