segunda-feira, 22 de junho de 2015

hoje eu chutei um ônibus.


Eu perambulo por uma trilha ácida, tensa e xarope: escrevo com floreios repetidos e bem inspirados sobre algo que odeio. Claro, ninguém me obriga a escrever como algo bom, mas quando me vejo falando (com floreios verbais) sobre a cidade e seus caminhos e os rearranjos orquestrados no íntimo da convivência do sujeito urbano por ai e tudo, acaba tendo uma pontinha de palavra elogiosa à coisa. Acho que se eu não passasse trinta minutos esperando um ônibus para depois ter de esperar outro, e viajar em pé espremido em ambos, os floreios soariam menos como imposições forçadas, necessárias ao texto, e mais como coisa viva, vivida e sincera. Pois quando o ônibus demora vinte e cinco minutos para surgir no horizonte da avenida congestionada, e ainda assim não para no ponto, a unica coisa que resta a ser feita é esticar a perna e dar-lhe um chute na lataria lateral.
Ps: acho válido também tirar o sapato e atirá-lo contra o vidro traseiro do veículo coletivo.




Nenhum comentário: