sexta-feira, 22 de maio de 2015

Outro Dia.


Teve um dia que não foi o primeiro que eu fui lá, mas foi o primeiro dia depois de saber que aquele lugar seria o meu quase todo dia pra grande parte dos meus próximos dias. Nesse dia eu passei pelo portão e caminhei triunfante pelas calçadas esburacadas. Olhava pro chão e pensava: "pisarei neste chão todo dia". Olhava as árvores e pensava: "darei bom dia quase todo dia pra essas árvores... bom dia árvores". Já tinha passado o dia da festa, o dia da ressaca da festa e mais umas dezenas de dias relacionados àquele dia. "Que dia glorioso deus, o primeiro de muitos". Mas dai foram passando os dias, primeiro um a um, depois já eram dezenas, então se tornaram cinquenta, então mais cinquenta, então, "jesus, já se foram quantas centenas?". Não dei bom dia pra árvore alguma. Na verdade podia socá-las ao modo Beatrix Kiddo no caixão, só pra ver quanto tempo demoraria pra sentir alguma liberdade com gosto de terra na cara. Caminhei pelo chão esburacado e praguejei um tropeção. "Que caralhos de desgraça eu tô fazendo com a minha vida?".


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