terça-feira, 12 de maio de 2015

Cadeia de problemas urbanos.


O motorista do ônibus lotado contava para as pessoas que viajavam amontoadas próximas a ele que a empresa pediu para os motoristas não conversarem mais com os passageiros, pois isso lhes roubaria a atenção do trânsito. Ele deixava claro que não acreditava nisso: "quero ver eles ficarem dez horas sentados sem conversar com ninguém só mexendo os braços e as pernas". Alguns instantes depois ele se assustou com pessoas andando pelo meio de uma rua com quatro faixas, deu uma virada brusca no volante, "que caralho estão fazendo ai?", reclamou com a voz ainda espantada após cometer um quase atropelamento de pedestres. Dois rapazes e uma moça vinham pela rua pois a primeira faixa desta, à direita, onde a preferência é dos ônibus, estava alagada, assim como a calçada, dedicada aos transeuntes. Choveu o dia todo e as bocas de lobo não conseguiram engolir toda a água. Ontem teve uma grande festa por aqui e quando começou a chover hoje a rua estava cheia de lixo, como copos de plástico e latas de cerveja que foram bebidas pelas pessoas que foram à festa. Ali, na festa, certamente se divertiram dançando, aproveitando o momento de lazer com pessoas queridas ou desconhecidas ou afogando as mágoas. De todo modo, festejando a boa vida em detrimento do restante da semana de trabalho chato, em que poderiam ser impedidas de conversar com outras pessoas ou correrem o risco de serem atropeladas voltando para casa.


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