quarta-feira, 15 de abril de 2015

Tira a máscara de demônio.


Observando um ciclista andando na margem da avenida, negando a ciclofaixa que foi construída no meio dela para ele, pensei que talvez fosse uma boa chegar em casa e resolver uma já antiga desavença. Dois, três passos: "talvez não seja desavença, talvez seja só mais um traço dessa doença que se estabeleceu na sua cabeça". Pode ser verdade, essa vertente, aliás, deve ser verdade. Lembrei de períodos em que a coisa já esteve pior, e de como eu era radicalmente idiota: "vocês tem a vida de vocês ai e eu não tenho nada que ver com isso ai". Como que não tenho nada que ver com isso ai? Se eu os invejo? Se eu invejo a vida que levam. Me acusam de olhar como que de cima pra baixo e apontar dedos e julgar inferior todos os demais. Como que posso fazer isso se eu invejo a vida que levam? Como poderia eu ser isso se todas as manhãs eu acordo e me viro e penso: "que merda que eu tô fazendo com a minha vida?". Que merda esse ciclista tá fazendo fora da ciclofaixa? 
Comprei uma bicicleta, e minhas semanas têm sido menos repugnantes.




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