sexta-feira, 24 de abril de 2015

As coisas não duram mais nada.


O ano era dois mil e onze, se a memória não me trai, eram meados de maio, final de abril. Em um dia qualquer da semana anterior me convidou para uma breve viagem, uma noite, um dia inteiro, outra noite, um amanhecer e voltaríamos, nada além disso. "Tudo bem", eu pensei, faz até sentido fazer esse tipo de coisa por agora. Naquela época no apartamento em que eu morava, tinha um tanquinho elétrico muito bom. As únicas orientações eram não colocar muita roupa e acertar os instantes de enxague dele (para que a área de serviço e a cozinha não alagassem) que os panos ficavam bem limpos e cheirosos. Por alguma razão, quando chegou o dia da viagem, notei que não havia em minhas gavetas nem uma cueca limpa. Nem uma. Faltavam duas horas para nossa partida e, agravando o quadro, eu precisava almoçar. Não tive dúvidas, e fiz o prático: corri ao centro da cidade, onde comeria um prato de boa comida por R$3,75 e compraria um pacote com três cuecas, que custou R$9,00. Hoje a tarde tomei um banho, e quando voltei ao quarto para me vestir peguei a primeira cueca que vi na gaveta. O elástico está frouxo, um pequeno furo na lateral cresceu e se reproduziu. Em suma, ela não cumpre mais seus desígnios cuequísticos de maneira digna. "As coisas não duram mais nada", falou a cueca para mim, maltratada pela vida que levei no período da vida em que a usei com frequência, "você foi uma ótima cueca, aproveitemos, é nossa última noite juntos". Vou dormir e acordar aos prantos, adeus cueca.


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