segunda-feira, 27 de abril de 2015

A festa na casa da menina linda.


Tinha uma menina que era linda, e essa definição não é minha. Muitos e muitas (não posso dizer todas e todos pois não fiz este levantamento preciso de dados) por ali a classificavam de tal maneira: "é a mais linda que já andou por aqui", "é tão linda que toda a beleza restante no mundo fica pequena", "quando eu tiver a idade dela quero ser linda como ela". Era curioso observar as pessoas a observando enquanto caminhava e cumprimentava quem ela conhecia, sempre com um sorriso e uma voz baixinha, mas tão atenciosa. Certa vez começaram a pipocar pelas paredes cartazes que anunciavam uma festa, num sábado a noite, para dali a treze dias. O endereço indicado no rodapé dos cartazes ocultava uma informação importante, mas que rapidamente começou a circular entre as pessoas: seria na casa da menina linda. Como num conto medieval, houve uma divertida empolgação com a possibilidade de se viver uma festa na casa da menina linda. Pessoas que não eram muito ligadas nestes tipo de evento afirmavam que iriam; no boca a boca, o tema da festa importava menos do que o local. Então chegou aquela noite, e, tal qual a maioria do bem, me dirigi para aquela casa. Cheguei cedo (isso sempre acontece), sai pra dar uma volta e retornei mais tarde. Dentro da casa, pelos cantos, pessoas apoiadas em seus pequenos grupos; no jardim da frente turminhas maiores conversando baixinho; no quintal dos fundos, onde aparentemente haveria música ao vivo, uma caixa de som sendo consertada às pressas e a menina linda acompanhando apreensiva o resgate do auto falante. Andei novamente pela casa inteira, e encontrava apenas o silêncio dos cochichos, apenas as pessoas olhando para todos os lados procurando sabemos quem para bajular-lhe a beleza, apenas garotas e garotos mordendo a borda de seus copos plásticos ou destacando com persistência os anéis de alumínio de suas latinhas de cerveja. Fui embora.


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