sexta-feira, 17 de abril de 2015

A burocracia em pele humana não dá bom dia.


A burocracia, são pessoas. Não são os papeis que assinamos, os cartórios em que mofamos nas filas, os documentos que carregamos na carteira, as ranhuras nas pontas dos dedos que viram modos de identificação individual. A burocracia são pessoas.
Vez ou outra, nos trajetos que escolhi pra minha vida profissional (até o momento), as "atividades acadêmicas", tenho que lidar com essas pessoas, as burocracias, e seus papeis, assinaturas, documentos xerocados etc. Às vezes ocorrem situações engraçadas.
Certa vez, em um curto espaço de tempo, participei de uma série de encontros coletivos, em que todos os presentes eram obrigados a assinar uma espécie de "lista de presença". A lista ficava à disposição dos participantes em uma mesa, e era observada por um jovem senhor - não devia ter mais do que 53 anos de idade - que era uma espécie de "guardião das assinaturas dos presentes".
Cheguei cedo em um dos dias destes encontros, não havia ninguém assinando a folha, olhei para ela e para o senhor, lhe disse um singelo "bom dia", ao que me respondeu: "você já assinou?". No encontro seguinte, novamente, me apresentei a ele com simpatia, e lhe disse 'bom dia', antes de qualquer coisa, sua resposta foi a mesma: "já assinou?". 
Os encontros seguiam, e a cada "bom dia", "boa tarde", "até logo", eu recebia apenas respostas que eram perguntas sobre eu ter ou não cumprido com as obrigações burocráticas referentes às assinaturas e ao encontros. Como no último dia destes, em que, ao dizer 'bom dia' para o senhor, ele me respondeu: "preencha essa ficha e me entregue no fim do encontro". 
Ele era a burocracia em pele humana, e ela não te dá bom dia.



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