quarta-feira, 11 de março de 2015

Donas Florindas do meu Brasil...


A Dona Florinda mora na mesma vila que o Chaves, que não se alimenta todos os dias. Mora na mesma vila que o Seu Madruga, que sonega o aluguel por falta de emprego. A Dona Florinda recebe uma pensão, em razão do marido falecido, que lhe permite passar os dias trabalhando na casa e mantendo os pequenos luxos do filho, Quico. Dona Florinda crê que, por possuir um pequeno bem financeiro acima dos demais na vila, tem mais voz e merece mais benefícios que os outros. Seu filho, Quico, embora tenha lampejos do elitismo da mãe, cede a cada episódio, brincando com Chiquinha, a filha do pobre Seu Madruga, e com Chaves, órfão de pai, de mãe e do estado. O Senhor Barriga, hoje, nas redações da grande mídia, cria uma horda de Donas Florindas, fazendo-as crer que seus carros populares comprados a vista, ou a conexão no Facebook através de um 4G, lhes assegura mais voz do que os que parcelam em 48x ou usam o 3G (baratinho e lentinho). As Donas Florindas se acreditam mais valiosas do que os que não conseguem emprego ou não almoçam. As Donas Florindas reclamam de uma crise, mas nos hipermercados os ovos de páscoa estão sendo vendidos e repostos todos os dias. Não seja uma Dona Florinda, não ache que você manda mais na vila do que os outros. Seja mais um Quico, que cede às noções equivocadas de participação em uma classe privilegiada em nome da igualdade de que todos possam brincar.


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