terça-feira, 10 de março de 2015

Arruma as letrinhas da sopa ai meu.


Na época em que meu pai e minha mãe ingressaram, na marra, no processo de separação (e isso esta completando dois anos por agora) eu ouvia muito, de ambos os lados, frases como: "na vida a gente erra e a gente acerta" e "posso errar, mas só vou saber se tentar". Clichês pagodísticos ao modo Revelação. Se teve uma coisa que ficou pra mim daquela feijoada toda que foi aquela época, de cisão de lados e levantamento de muros, é que não dá pra ser radical em coisas da vida. Era meu aniversário, e meu bom amigo me deu um abraço e sorriu o seu sorriso meio retangular tão peculiar (que ele solta somente em situações de intenso e sincero prazer, já aprendi). Ele me disse uma mensagem positiva, e eu respondi com algum resmungo-ranzinza: "agora era uma boa hora pra você aprender a parar de reclamar, e aproveitar sua vida". Esse é o tipo de frase que só os seus verdadeiros amigos podem dizer; na verdade os zé ninguém também podem a dizer, mas eu não vou ouvir. Na verdade, naquela hora, eu não ouvi a frase, apenas a guardei, e segui destruindo o momento como havia planejado previamente que o faria. Confesso que nos dias seguintes houve certa satisfação perante tais ocorridos, mas aquela frase, aquele sorriso, quebrado por mim no instante, ficaram registrados em meu hd. Querido amigo, me valendo das lógicas de meu pai e de minha mãe (agora felizes e tranquilos, cada qual em seu corner), te digo que a gente erra e a gente acerta, e é bom por demais poder organizar as letrinhas da sopa pra entender bem o que se passa na paçoca cerebral - pra depois elas se embaralharem de novo. Não dá pra ser radical com coisas da vida, e achar que todo açúcar vai se assentar no fundo da xícara de uma vez por todas, mas dá pra se afastar das situações e entender, de uma vez por todas, quem tá do seu lado.


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