quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eu odeio quando percebo que meu modo de pensar é influenciado por narrativas cinematográficas assim.


Esses dias eu estava vivendo uma noite semi alcoolizante e semi chateante. Isso tem tido uma frequência maior do que deveria ter, eu acho. Acho também que tenho pensado coisas erradas por demais quando esses momentos vem. Não importa. É um período difícil, em que volta e meia eu paro e penso que, na verdade, parece estar sendo um período de passagem, uma mera ponte entre o que vivi antes e o que vou viver depois. Na verdade já faz tempo, quando me propus a dedicar um período da vida dizendo "será só por um tempo", eu fiz essa cagada; eu matizei o período como o cinza tosco sem graça bem no meio do degradê do branco pro preto. Não é nada, puramente, é meio tempo, é tempo e meio. Então havia acabado a bebida, eu ainda tinha uma tinta e outra nas mãos pra colocar pra fora algum sentimento qualquer (e ideias também), quando me peguei pensando a famigerada frase: "pode ser que eu não esteja gostando muito agora, mas, quer saber, eu não escolheria ou faria nada diferente do que fiz". De maneira simbólica, não prática, ilustrativa ("gente, eu não fiz isso de verdade") enfiei a cabeça na mesa de madeira rígida até tirar lascas - da cabeça e da mesa. E, de súbito, uma resposta emergiu: "eu faria uma escolha diferente sim". Tentei pensar em mais coisas feitas e escolhas tomadas dentro do recorte do último decênio, pensei em muita coisa. Na verdade formulei o pensamento como uma raiz: "e se eu tivesse feito isso e não aquilo?", e ai ia desmembrando alternativas, opções e pensava "não, isso poderia levar a coisas piores" ou "não, eu gosto do que eu escolhi e do que foi decorrente dessa escolha". Apenas em um ponto eu pensava: "que merda de escolha cretina à beira da rodovia, se eu não tivesse optado por isso, e sim pelo outro lado da história, eu seria totalmente outro, a vida teria seguido totalmente outros rumos e, com certeza, eu não estaria aqui semi bêbado e com semblante mental chateado; talvez estivesse em outro lugar, com outras mágoas, felicidades, pequenas glórias e pequenos desgostos. Mas esse risco, só esse, eu gostaria de ter corrido, e se pudesse mudar uma escolha na vida, mudaria essa".
Eu odeio quando percebo que meu modo de pensar é influenciado por narrativas cinematográficas.
Prefiro quando me convidam pra assistir peça de teatro em que as pessoas correm nuas e gritando simulando uma interpretação de loucura como doença, e como doença que desregula e não apresenta cura.



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